Arautos do Evangelho desenvolvem trabalho de Nova Evangelização, afirma Dom Beni, participante do Sínodo dos Bispos

Roma, quinta-feira, 11 de outubro de 2012 (Gaudium Press) Dom Benedito Beni dos Santos, bispo diocesano de Lorena, São Paulo, no Brasil, foi nomeado diretamente pelo Santo Padre como Padre Sinodal. Já o havia sido antes para o Sínodo para África. Dom Beni conversou com a Gaudium Press em um dos intervalos da XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização.

Gaudium Press – Antes de tudo perguntamos qual sua impressão a respeito do início da cerimônia de domingo passado, na qual o Santo Padre declarou dois santos como doutores da Igreja, São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen. Foi também a maneira como o Papa, na festa do Rosário, em 7 de outubro, iniciou a Assembleia do Sínodo.

Dom Benedito Beni dos Santos – Foi uma cerimônia não só bonita senão que muito importante. Os santos não envelhecem porque eles são o Evangelho vivo. E ainda mais. Os dois santos que foram declarados doutores da Igreja, podemos dizer que agora os ensinamentos que eles deixaram tornam-se ensinamento oficial da Igreja. Esse é o sentido de declarar um santo como Doutor ou Doutora da Igreja. Esperamos que os ensinamentos desses dois santos, como disse o Santo Padre, ajudem a Igreja nessa tarefa imensa da Nova Evangelização.

GP – No Ângelus o Santo Padre fez questão de afirmar a necessidade do Rosário como uma fonte de graças, a recitação do Rosário na vida cotidiana da Igreja. Como Dom Beni viveu esse momento, e que ressalta dessa do Sumo Pontífice?

Dom Beni – A evangelização consiste em anunciar o evento de Cristo. Como disse Paulo VI: sua vida, sua palavra, a chegada do Reino, sua morte, sua ressurreição e podemos dizer também, o dom do Espirito Santo, porque a missão terrestre de Cristo só termina com o dom do Espirito Santo. Então o rosário é sempre atual, porque o rosário é a contemplação do evento de Cristo, de toda a vida de Cristo, de todos os mistérios de Cristo.

Podemos dizer que no rosário nós anunciamos aquele que é objeto da Evangelização e por tanto da Nova Evangelização. Ainda mais, o rosário nos recorda que nos não podemos evangelizar sem Nossa Senhora. Paulo VI a declarou Estrela da Evangelização, a Virgem está ligada ao mistério da Salvação. Então, anunciar Cristo significa também anunciar os mistérios de Cristo que se realizaram na verdade de Nossa Senhora. Inclusive, Nossa Senhora foi a primeira que participou da gloria da ressurreição de seu filho, do último mistério de Cristo que é a ressurreição. O corpo que gerou foi o primeiro em participar da gloria do corpo que foi regenerado.

GP – Mons. Beni foi nomeado diretamente pelo Papa Bento XVI como Padre sinodal e o foi também no Sínodo da África. Como viveu essa nomeação?

Dom Beni – Para mim a escolha por parte do Santo Padre como Padre sinodal para o Sínodo dos Bispos para a África, foi uma grande novidade. Eu jamais pensei em representar sozinho o Brasil em um sínodo tão importante, um sínodo continental. A África tem mais de 900 milhões de habitantes, 52 conferências episcopais e é também o continente onde Igreja mais cresce. Um continente que enfrenta dificuldades porém um continente também cheio de esperança, inclusive para a Igreja.

Com uma novidade é a escolha agora também pelo Papa, como membro do Sínodo dos Bispos, o que foi uma surpresa para mim. Eu não pensava que despois do Sínodo da África eu fosse também escolhido para participar de um novo sínodo. Eu fui o único bispo brasileiro nomeado pelo Santo Padre. De modo que agradeço ao Santo Padre o Papa essa nomeação e espero corresponder a confiança que ele em mim depositou.

GP – Que espera Sua Excelência deste sínodo?

Dom Beni – É um sínodo muito importante que está em continuidade com o Sínodo sobre a Palavra de Deus na e na missão da Igreja. Além disso, está em continuidade com o Concílio Ecumênico Vaticano II, porque este concílio colocou o problema da Nova Evangelização. Ainda que não usasse essa expressão de Nova Evangelização, colocou o problema, porque o Concílio abordou o problema de como a Igreja pode anunciar o Evangelho dentro das novas condições e os novos desafios da cultura moderna. Então este sínodo está em continuidade com o Vaticano II.

E esse é o grande problema da Igreja: evangelizar a cultura. E a cultura moderna, ela tem seus pontos positivos, porém, tem seus pontos negativos, porque está marcada pela secularização, pelo abandono de Deus, pelo abandono da Igreja, e Deus é fundamento não só do Universo, não só da vida em geral , senão que também o fundamento da reta conduta humana. Portanto o fundamento da fraternidade, da paz; sem Deus não é possível construir uma verdadeira paz, uma verdadeira fraternidade entre os seres humanos.

GP – Dom Beni, como cada Padre sinodal terá uma intervenção no sínodo, não vamos perguntar-lhe qual o conteúdo de sua intervenção, mas perguntamos em que linha será ela?

Dom Beni – De minha intervenção eu quero conceituar bem o que seja a Nova Evangelização, usando a expressão Nova Missionariedade. Portanto, nós estamos em um momento ema que a Evangelização não é obra de um grupo de especialistas, mas de todos os batizados. e depois quero mostrar também de que maneira na América Latina, no Brasil, já existe como tarefas a Nova Evangelização. E nesse sentido vou citar os Arautos do Evangelho que, estão presente de modo muito relevante no Brasil e em outros países e que desenvolvem de fato uma tarefa de Nova Evangelização, sobretudo através da arte, e de um modo especial a través da música. é próprio dos Arautos do Evangelhos ir ao encontro das pessoas, ao encontro especialmente daqueles que estão frequentando as escolas, desenvolvendo uma obra missionária relevante nos colégios. Então, quero citar os Arautos do Evangelho como modelo de uma Nova Evangelização, sobretudo através da arte.

Gaudium Press / José Alberto Rugeles

Fonte: http://www.gaudiumpress.org/content/41065-Arautos-do-Evangelho-desenvolvem-trabalho-de-Nova-Evangelizacao–afirma-Dom-Beni–participante-do-Sinodo-dos-Bispos

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.