Apresentada identidade da mulher que recebeu o milagre de Irmã Dulce

Salvador (Sexta-feira, 13-05-2011, Gaudium Press) Cláudia Cristiane Santos é a responsável pelo milagre atribuído a Irmã Dulce que lhe concedeu a beatificação a ser celebrada no próximo dia 22 na capital baiana. A identidade da “miraculada” foi apresentada nesta sexta-feira durante uma coletiva de imprensa na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Largo do Roma em Salvador, local onde está sepultado o corpo de Irmã Dulce.

“Ela seria apresentada somente no dia da beatificação atendendo a uma determinação do Vaticano, mas conseguimos uma autorização para antecipar este anúncio”, explicou Alan Guedes, do setor de comunicação das Obras Sociais Irmã Dulce.

Em 11 de janeiro de 2001, Cláudia deu entrada na Maternidade São José, instalada na cidade sergipana de Itabaiana, quando estava completando a 39ª semana de gestação, já em trabalho de parto. Durante o procedimento, houve um intenso sangramento e foi necessária uma transfusão de sangue.
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Cláudia Cristiane Santos teve a identidade revelada nesta sexta-feira, 13, em coletiva de imprensa/ Foto: Assessoria  Obras Sociais Irmã Dulce

Segundo o relatório médico “a paciente apresentou sangramento, distensão abdominal, choque hipovolêmico, necessitando de uma 2ª intervenção cirúrgica. Após a abertura foi constada a necessidade de receber mais transfusão devida a intensa perda de sangue”.

O relatório segue ainda informando que “uma hora e meia após o encerramento da 2ª intervenção cirúrgica, foi necessário realizar um novo procedimento porque foi observada uma distensão na vesícula, originando o sangramento da mucosa”.

Quando a situação de Cláudia parecia irreversível a família decidiu procurar o Padre José Almir Menezes, capelão do hospital, para lhe ministrar a unção dos enfermos. Entretanto, o sacerdote, que apesar de não ter conhecido Irmã Dulce pessoalmente era muito devoto da freira, entrou no quarto e fez uma proposta para a paciente: “Você acredita que Deus pode te curar a partir da intercessão de Irmã Dulce?” O sacerdote foi além e afirmou para Cláudia que “Irmã Dulce está precisando de um milagre para que o seu processo de canonização siga adiante e você precisa de um milagre para continuar vivendo e continuar cuidando de seus filhos e de sua família”. Segundo Padre Almir, Cláudia aceitou imediatamente, rezaram e ela recebeu a unção dos enfermos.
 

Antes de deixar a UTI, o sacerdote pegou uma fotografia de Irmã Dulce e colocou no suporte do soro e recomendou a Cláudia: “olhe para a foto de Irmã Dulce que ela vai olhar para você”. Poucas horas depois, uma tia de Cláudia telefona para o sacerdote informando que ela já estava bem de saúde.

No próprio laudo médico, assinado pelo Dr. Antônio Cardoso Moura, médico ginecologista e obstetra da Maternidade São José e responsável pelo acompanhamento do quadro de saúde de Cláudia, há uma observação que diz: “Diante do quadro obstétrico gravíssimo e dramático, em tempo algum durante meus 25 anos fazendo esta especialidade vivenciei situação semelhante. Em todos os momentos em que a paciente foi assistida, senti segurança, equilíbrio emocional e forças para persistir em todos os procedimentos realizados”.

Segundo o médico Sandro Cal Barral, um dos peritos médicos que avaliou o milagre, é realmente difícil explicar a cura de Cláudia. “Do ponto de vista médico é difícil explicar, porque as condições em que se encontrava a paciente e os poucos recursos disponíveis, a falta de vaga na UTI, a falta de hemoderivados que existia e a velocidade que se processou a melhora não tem explicação”.

Ele explicou ainda que o processo foi avaliado por mais de 10 médicos brasileiros e seis italianos e nenhum deles conseguiu explicar como a melhora se processou de uma forma tão rápida numa condição adversa. Ele lembra que a recuperação de Cláudia se deu em menos de uma hora. “O colega não tinha mais o que oferecer para a paciente, tudo o que poderia ter sido feito foi feito; ele então saiu para descansar um pouco e em menos de uma hora foi chamado novamente, acreditando que seria para dar o atestado de óbito, e quando entra no quarto recebe da própria paciente um agradecimento por tê-la ajudado”.
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Da esquerda para a direita: Padre José Almir Menezes, Irmã Augustinha Ferreira dos Santos, Dr. Sandro Cal Barral/ Foto: Luciano Batista

Na época, o Hospital e Maternidade São José estava sendo dirigido pela Irmã Augustinha Ferreira dos Santos, pertencente à mesma congregação de Irmã Dulce. Segundo ela “este milagre a gente acredita que, por já ter começado na maternidade, quando todos os recursos já haviam sido empregados e ela teve de ser transferida por falta de UTI, foi graças a Irmã Dulce e a Jesus, porque o sangramento foi estancado e hoje ela goza de perfeita saúde”.

Atualmente Cláudia Cristiane dos Santos está com 42 anos e Gabriel – nome sugerido pelas Irmãs da Maternidade, já completou 12 anos.

Irmã Dulce será beatificada no próximo dia 22 no Parque de Exposições de Salvador. A missa será presidida pelo arcebispo emérito, Dom Geraldo Majella, nomeado representante do Papa Bento XVI na cerimônia.

Segundo os organizadores do evento, estão sendo esperadas mais de 70 mil pessoas. Já confirmaram presença representantes da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Mãe de Deus – a qual pertenceu Irmã Dulce – provenientes das Filipinas, México, Espanha e Portugal. Dos Estados Unidos está vindo a superiora da Congregação.

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Luciano Batista

Enviado especial a Salvador

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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