“Amanhecer”

celam_thumbEm síntese: O CELAM entregou a certo público um documento elaborado pelos protestantes, que refere as estratégias missionárias concebidas para tornar o mundo inteiro protestante. Trata-se do projeto AMANHECER, estruturado de maneira muito sagaz e inteligente para animar a ação proselitista de denominações e seitas protestantes, preocupadas com seu crescimento numérico e um tanto relativistas quanto ao Credo. Desse projeto destacamos, nas páginas seguintes, os traços principais, muito reveladores do afinco que anima as estratégias evangelísticas.

 Tal documento há de avivar nos fiéis católicos o estrito dever missionário que lhes incumbe a partir das palavras do Senhor Jesus: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28, 19s). Cristo fundou uma única Igreja confiada a Pedro, dotando-a desse ímpeto missionário, que decorre da consciência de que o Evangelho é a Boa-Nova destinada a todos os homens e, por isto, não pode ser guardado indolentemente nem relativizado (como se todos os Credos fossem iguais) nem confundido com promoção econômica e social dos mais carentes. O Evangelho é a Boa-Nova religiosa que tem vigor único para estruturar o ser humano no plano espiritual e, consequentemente, também no material.

O CELAM (Conferência Episcopal Latino-americana), mediante o seu Departamento de Ecumenismo e Diálogo Religioso, deu a conhecer um documento de 48 páginas, protestante, escrito em castelhano, com o título AMAÑECER (Amanhecer) e o subtítulo “Estratégias evangelicas para la toma misionera del mundo y de America Latina” (Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina). Trata-se de normas destinadas a difundir o protestantismo no mundo inteiro e, especialmente, nos países latino-americanos. O documento é um tanto sigiloso, como se depreende da Apresentação do mesmo redigida pelo CELAM e publicada logo a seguir em tradução portuguesa. Desse documento destacaremos posteriormente os traços principais.

1.  Apresentação de AMANHECER

Eis a página introdutória a cargo do CELAM:

“As Táticas da Missiologia Proselitista
Com a devida prudência, colocamos em suas mãos um documento excepcional, que explica muitas das nossas preocupações a respeito da proliferação das “Seitas” (neste caso, “Seitas” de índole nitidamente evangélica).
Trata-se de um documento singelo, mas que pretende reunir toda a fundamentação bíblica, a eclesiologia, os objetivos, os métodos e as estratégias para a “tomada evangélica” do mundo inteiro.
Chegou às nossas mãos de maneira confidencial. Reconstituímos o texto a partir de fotocópias muito deterioradas.
Respeitamos o estilo, a redação, a pontuação e a ortografia. Animamo-nos a publicá-lo por várias razões:

1) É necessário que nos preocupemos, tomando consciência do impulso missionário – para não dizer proselitista¹ – das seitas cristãs, impulso voltado não somente para a América Latina, mas também para o mundo. A leitura e o estudo deste documento devem fazer sentir a nós, como católicos, o chamado para redescobrirmos o fervor missionário daqueles que semearam a fé entre nós. Como diz o Santo Padre, é necessário promover uma nova evangelização e – por que não o dizer? – uma renovação pastoral.

2) O documento oferece uma explicação complementar da proliferação de seitas. Muitas vezes nos detemos na hipótese de que esta avalanche de “igrejas” é fruto de política estrangeira. O documento nos mostra o porquê, o objetivo e o como do impulso missionário das seitas cristãs. É necessário também que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país. Essa estratégia combina elementos diversos inspirados por um fervor cego para a implantação de igrejas: motivações bíblicas e teológicas, testemunhos populares, metodologia de planejamento e avaliação.

3) O documento nos leva também a descobrir o tipo de ecumenismo que está ocorrendo entre as comunidades evangélicas não históricas;¹ julgam que se podem unir a outras comunidades desde que não suscitem problemas, não levantem questões, não alimentem o senso crítico em relação às verdades professadas por cada denominação cristã. O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos.
É para desejar que cada um de nós tire as consequências de tal leitura.
Atenciosamente,

Secção de Ecumenismo e Diálogo Religioso de “CELAM”

Em vista de crescer numericamente, sem dar relevo primordial ao Credo de cada denominação cristã, cremos que o projeto AMANHECER não foi elaborado por determinada denominação protestante (luterana, calvinista, batista…), mas se deve a algum movimento de Evangelização protestante e difusão da Bíblia, desligado de qualquer comunidade eclesial. Aliás a p. 4 do documento em pauta, abordando observações preliminares, nos diz que tal texto foi publicado por Dawn Ministries, Jim Montgomery, Presidente, com sede na Califórnia. Jim Montgomery é o gerente-editor de GLOBAL CHURCH GROTH BULLETIN, e diretor de análise e estratégia da missão OVERSEAS CRUSADES; foi o responsável por uma profunda investigação de crescimento da Igreja efetuado na Guatemala.
Vejamos agora.

2.  Alguns traços de AMANHECER

2.1. Que é AMANHECER?
Utilizando palavras do próprio documento, dizemos:

“AMANHECER é uma estratégia de serviço executado na base do mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo de fazer todas as nações discípulas (cf. Mt 28, 19). É o desenvolvimento de uma estratégia adequada com a finalidade de mobilizar o Corpo de Cristo para fazer todas as nações discípulas.
Segundo o Dr. Pedro Wagner, é o melhor e mais eficiente sistema para conseguir o crescimento das Igrejas em escala internacional…
AMANHECER aspira a mobilizar o Corpo de Cristo em todos os países… para cumprir a grande tarefa, tendo por meta levantar uma congregação evangélica em cada vila e em cada povoado, de todas as classes, categorias e condições sociais em cada país por inteiro.
A maior preocupação de AMANHECER é ver encarnado o Senhor Jesus em toda a sua beleza, compaixão, poder e mensagem em cada grupo de pessoas – entre 500 e 1.000 – ou, a mais longo prazo, em cada país.
Portanto, a máxima aspiração de AMANHECER é ver em cada Igreja refletir-se o Senhor Jesus Cristo e ver essas igrejas multiplicadas de tal modo que não fique ninguém em país algum fora do alcance prático e cultural do Cristo vivo.
Se houver uma congregação dando testemunho em cada pequena comunidade, será possível comunicar o Evangelho, de maneira direta e fecunda, a cada habitante da terra. Cada pessoa em cada país terá então a melhor oportunidade de poder ver o Evangelho vivido e apregoado em seu ambiente por pessoas que falam a sua respectiva língua. Assim cada indivíduo terá uma excelente oportunidade de tomar uma decisão inteligente, favorável ou contrária ao Senhor Jesus Cristo; cada qual terá uma igreja à qual poderá comparecer e, no futuro, quando se tiver convertido, poderá ser instruído e feito discípulo” (p. 7).

Eis algumas realizações concretas desse plano:

“Em 1966, Hugh Linton e seus colegas na Coréia fizeram um meticuloso exame de sua área e traçaram um plano de sete anos para implantar uma congregação em cada vila de mais de cem casas, distantes 4 km da igreja evangélica mais próxima”.
Em 1974, cerca de 75 igrejas e líderes missionários nas Filipinas comprometeram-se a trabalhar de modo a conseguir construir uma igreja em cada bairro de todo o país para o ano 2000. Isto significaria um crescimento do número de 4.000 igrejas para 50.000 igrejas nos próximos 25 anos. Quando trazemos líderes se reuniram num Congresso em fevereiro de 1985, referiram que a fé tinha dobrado o número de seus templos fundados na década anterior e que a meta final era atingir 50.000 no ano de 2000.
Tendo ouvido narrar tal experiência, cerca de 350 líderes da Guatemala tomaram por meta a conversão de 50% da população de seu país para o evangelismo até o ano de 1990, ou seja, num período de seis anos.
Em abril de 1985 algumas centenas de líderes se reuniram num Congresso sobre o Evangelismo no Zaire e tomaram por objetivo fundar ao menos uma igreja em cada vila de 10.000 habitantes no país, num período de cinco anos. Também fizeram o propósito de construir 5.000 igrejas a mais na cidade de Kinshasa.
Na Indonésia existe um programa muito bem planejado dito: “Um, um, um” – o que quer dizer: uma igreja em cada vila de cada geração. O plano está sendo executado segundo táticas muito proveitosas de modo a atingir sua meta em 2015. Isto implicará a fundação de milhares de templos por meio de homens e mulheres treinados em centenas de Seminários durante dois anos para ser espalhados por toda a terra.
Líderes em países tais como o Japão, a Índia, El Salvador, Colômbia, Gana, Nova Zelândia, Zimbawe e muitas outras nações comprometeram-se a desenvolver semelhantes programas ou já estão seriamente comprometidos com isto…
Conforme vários dirigentes de Missiologia, a maneira mais direta de completar a Grande Tarefa é encher a terra, as áreas rurais, as regiões e os povoados de congregações evangélicas.

Ao mesmo tempo, um número crescente de missionários estrategistas que estão trabalhando nos diversos setores do mundo, vêm desenvolvendo e levando a termo programas tendentes à mesma meta.
Parece existir o potencial para desenvolver o projeto AMANHECER num movimento de alcance mundial… Pode ser que Deus esteja fomentando tal movimento para apressar a sua segunda vinda. Esta vai sendo preparada pela evangelização mundial” (pp. 8s).

2.2. Financiamento de AMANHECER

Eis o que se lê às pp. 37s do fascículo:

“O modelo AMANHECER é relativamente econômico e de financiamento simples.
Financiar o evangelismo e a função de templos não é o problema para o projeto AMANHECER, porque estas atividades são sustentadas pelas Igrejas e as próprias denominações cristãs.
Uma vez que são motivadas pelas atividades de AMANHECER, as comunidades podem por si mesmas financiar seus gastos para atingir as metas traçadas. Deve ser óbvio que os pastores e líderes de Igreja levantem fundos muito mais rapidamente para um projeto que ajudará o desenvolvimento de seu ministério do que para atividades cooperativas que não garantam o acréscimo de membros às suas congregações e o aumento de templos nas denominações cristãs.
Financiar um Congresso de acordo com a experiência prévia é muito mais fácil do que fazer uma grande reunião interdenominacional…
“A índole do projeto AMANHECER parece também apelar para as organizações para-eclesiásticas nacionais e internacionais que estejam em condições de ajudar o respectivo financiamento”.

2.3. Os Treze Passos para o Êxito
Às pp. 39-44 o documento em pauta expõe treze passos ou atitudes e medidas consideradas penhor de êxito para qualquer programa de expansão do Evangelismo. Ei-los:
Passo n.º 1: “Tenha sonhos fantásticos e grandes visões”

As comunidades em crescimento devem ter uma visão mais ampla do que elas mesmas. Alimentem o grande anseio de ver todo o seu país conquistado para Cristo ou de fundar uma Igreja em cada bairro. Quem nutre tais aspirações, trabalha persistentemente até ver a plena realização das mesmas. Diz o livro dos Provérbios: “Quando não há visão, o povo perece” (29, 18).

Passo n.º 2: “Desenvolva, mantenha e utilize uma sólida base de informações”.

Diz o sábio: “É vergonha e confusão responder antes de escutar” (Pr 18, 13). É preciso, pois, pisar no chão, evitando devaneios irreais, fantasias emocionais e sentimentais. Em lugar disto, que os arautos do Evangelho: a) ponderem quais pessoas mais receptivas do Evangelho e como melhor podem ser conquistadas; b) avaliem seus recursos, as cotas de crescimento dos mesmos; c) observem as outras comunidades e seu crescimento a fim de adaptar o que lhe for conveniente.

Passo n.º 3: “Trace metas desafiadoras, realistas e comensuráveis”.

As metas desafiadoras mobilizam as pessoas e as fazem trabalhar para além de suas expectativas. Sejam metas realistas, pois as idealistas demais podem desapontar as pessoas. Metas comensuráveis, isto é, que possam ser traduzidas em números e datas concretas, pois a verificação matemática do êxito é sempre motivo de regozijo. São citados os textos de Hb 11, 1. 5.

Passo n.º 4: “Assumir as metas traçadas não como algo imposto de fora, mas algo voluntariamente abraçado pelo evangelista”.

Sejam, pois, discutidos os objetivos e as etapas sucessivas de determinada estratégia; haja o consenso de todos os interessados, para que todos se identifiquem com os propósitos do grupo.

Passo n.º 5: “Dar nome – e nome significativo – ao programa”.

O nome é um estímulo ao trabalho e à criatividade, se ele é adequado. Assim, por exemplo, “Estratégia 100, 1985”, “Expansão 100…”…
“Como se sentiriam os seus filhos, se você não lhes tivesse dado nome? Ignorados e insignificantes!” Da mesma forma todo programa necessita de um bom nome.

Passo n.º 6: “Desenvolver uma estrutura funcional”.

Isto quer dizer: e preciso organizar o movimento dando-lhe um bom organograma, uma zelosa gerência e uma solícita administração. Nos Atos dos Apóstolos, cap. 6, verifica-se que o surto e a expansão da Igreja provocaram um problema de governo ou administração, que foi logo resolvido mediante a instituição de novos servidores ou diáconos. Muitos leigos deverão sair da sua inércia e tomar parte ativa na missão da Igreja; isto será penhor de crescimento numérico e espiritual. Haja, por exemplo, líderes para acompanhar o programa na sua globalidade, líderes para coordenar comissões, supervisores dos programas de oração, guardas de arquivos e estatísticas, promotores de publicações, organizadores de momentos de recreação e lazer…

Passo n.º 7: “Confiar na oração e no poder do Espírito Santo”.

Há quem se preocupe com números e com a sabedoria humana a ponto de esquecer a obra do Espírito Santo. Ora isto é errôneo. Os programas bem sucedidos são precisamente aqueles que têm sólido respaldo na oração. O livro dos Atos dos Apóstolos abona esta verificação: para receber o Espírito Santo no dia de Pentecostes, cento e vinte discípulos se prepararam pelo jejum e a oração (cf. At 1, 15; 2, 1-4); assim também receberam de Deus a graça da conversão de três mil pessoas no mesmo dia (cf. At 2, 41).
A Aliança Cristã Missionária concebeu o programa “Blanco 400”, no qual havia uma Diretora Nacional de Oração, que era membro do Comitê Executivo. Ela ajudou a organizar centenas de células de oração, que se mantiveram muito vivas sob o seu estímulo. Dessas células saíram novos e novos grupos de obreiros leigos dedicados à oração e ao trabalho.

Passo n.º 8: “Manter os membros do Movimento ativos e bem informados”.

Descobriu-se que é importante publicar um informativo que noticie os resultados obtidos, os progressos no curso da evangelização, o atendimento às orações. Ponham-se em relevo as façanhas de homens e mulheres que obtiveram êxito notável na obra missionária. Também se recomendam anuários portadores de fotografias, marca-livros, agendas, cartazes… Faz-se, pois, necessário mostrar que de mês a mês e de ano a ano a evangelização faz progressos. Nada há de mais estimulante do que apresentar o êxito obtido até o momento presente.

Passo n.º 9: “Treinar os membros”.

Esta é uma tarefa indispensável em todo programa de crescimento. Inclui o treinamento para fundar igrejas, para pastoreá-las, para iniciar e cultivar, estudos bíblicos, para formar líderes de pesquisa e análise, para animar grupos de oração, administrar finanças, desenvolver comunicações, etc.
O treinamento pode ser efetuado em escolas, Seminários, Jornadas apropriadas, de maneira formal e informal.

Passo n.º 10: “Estabelecer normas financeiras prudentes”.

É claro que o crescimento de uma comunidade cristã exige gastos extraordinários, que devem ser precisamente avaliados de antemão. Frequentemente haverá que transferir fundos destinados a projetos de menos importância para atender aos desafiadores apelos da expansão evangélica. Será necessário também recorrer à arrecadação de meios financeiros, o que exigirá esclarecimento e doutrinação para que os crentes se disponham à generosidade.

Passo n.º 11: “Enviar missionários”.

Uma comunidade que não consiga expandir-se, deverá ser reforçada pelo envio de missionários de fora. Isto significa que as diversas igrejas tenham os olhos abertos para as demais a fim de poder atender às suas carências, quer nos bairros vizinhos, quer em cidades distantes. A pregação deverá, para tanto, dar especial ênfase à índole missionária do Evangelho, do qual cada crente é um representante.
Quando os Batistas conservadores viram cair suas taxas de crescimento de 20% em 1974 para 12,1 e 12,8 nos anos seguintes, tomaram consciência de que o programa de expansão corria perigo e era necessário definir sérias providências a respeito. Daí o recurso a missionários.

Passo n.º 12: “Avaliar o progresso regularmente”.

Só podemos aspirar a metas realistas e concretas, se tomarmos o cuidado de averiguar a relação existente entre as etapas da caminhada e os objetivos da evangelização. Os Batistas conservadores nunca teriam superado o perigo de retrocesso que os ameaçava, se não tivessem verificado que o seu êxito era frustrado; eles tinham uma meta prefixada, matematicamente estabelecida, e averiguaram matematicamente que estavam longe de tal objetivo foi isto que os alertou e levou a procurar reforço.

Os líderes de cada programa devem também estar abertos para os problemas que surjam na execução de cada um dos treze passos aqui relacionados; procurem diagnosticá-los e resolvê-los, utilizando, se for o caso, novas oportunidades e tendências da respectiva comunidade.
A avaliação será feita em circunstâncias muito oportunas se se lhe dedicarem dois ou três dias por ano, em que os interessados se debruçarão conjuntamente sobre programas, estatísticas, relatórios, observações, etc.

Passo n.º 13: “Fazer novos planos”.

Um dos aspectos mais alvissareiros para o crescimento até o ano 2000 nas Filipinas é a sucessão de programas de evangelização; mal se está terminando um, devidamente executado, já se tem outro programa, ainda mais grandioso, pela frente.
Sejam recordadas as  atividades da Aliança Cristã Missionária: executou o programa “Blanco 400”; depois o programa “Blanco 100.000”, que deu lugar ao projeto “Dois, dois, dois” – o que significa: 20.000 igrejas e 2.000.000 de membros para o ano 2000. Outros exemplos poderiam ser citados.
Em cada final de ano, ao se avaliar o projeto de expansão em curso, devem-se traçar normas concretas para o ano seguinte na base de tal avaliação. O mesmo ocorra ao cabo de cada quinqüênio e de cada decênio de execução dos programas de expansão. Desta maneira o evangelismo passa a ser parte integrante e dinâmica da vida das comunidades, em vez de ser uma atividade esporádica ou rotineira.

Conclusão

O projeto AMANHECER, com suas estratégias, interpela vivamente os fiéis católicos, pois neles deve avivar o zelo missionário que Cristo incutiu a todos os seus discípulos desde que estejam em comunhão com Pedro e a sucessão apostólica. Muito oportunamente diz o CELAM: “A leitura e o estudo do projeto evangelista deve fazer que nós, católicos, descubramos o fervor missionário daqueles que semearam a fé há quase quinhentos anos na América Latina. Como diz o S. Padre, trata-se de impulsionar uma nova evangelização” (ver p. 79 deste fascículo).
A nossa época não é pós-religiosa ou não é época que rechance os valores religiosos. Muito pelo contrário; o testemunho do protestantismo e das novas seitas nos transmite a certeza de que o homem contemporâneo é sôfrego de valores transcendentais, pois as promessas do cientificismo, do progresso material e da técnica têm falhado; deixam o cidadão de nossos dias frustrado, a braços com sérias crises, das quais a mais grave é a do sentido da vida. Saber por que e para quem alguém vive é necessidade premente e incontornável de todo ser humano; ora o materialismo não atende adequadamente a tais anseios, pois as suas promessas são mesquinhas de mais para o homem feito com abertura para o Infinito. Somente os valores religiosos podem preencher cabalmente as lacunas do ser humano. Daí a oportunidade que se oferece à Igreja Católica para pregar o Evangelho com a garantia dada por Cristo: “Estarei convosco até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).
É claro que a pregação da Boa-Nova e os métodos missionários hão de assumir as formas mais apropriadas para falar ao homem de hoje sem prejuízo para o seu conteúdo doutrinário e também sem cair no proselitismo constrangedor; hão de recorrer aos meios de comunicação modernos, que se tornaram habituais entre os homens, as cidades e os países de nossos tempos. Não pode haver timidez a tal propósito. Pregar o Evangelho com eficácia e eloqüência é não somente ato de obediência ao Senhor Jesus, mas também diz a antiga sabedoria grega (a caridade manda que transmitamos aos nossos irmãos todas as coisas boas, entre as quais sobressai a Boa-Nova de Cristo).
Possam, pois, os sinais dos tempos atuais ser apreendidos devidamente pelos fiéis católicos, que assim se deixarão renovar em seu zelo missionário, “a fim de que o mundo creia” (Jo 17,21)!
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¹ Proselitismo é a conquista de adeptos mediante promessas e benefícios temporais. Isto constrange o próximo indignamente – (Nota do Tradutor).
¹ Não históricas significa recentes ou contemporâneas. Alusão às denominações protestantes que se veem multiplicando nos últimos tempos (Nota do Tradutor).

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
Dom Estevão Bettencourt, osb.
Nº 333 – Ano 1990 – Pág. 78

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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