Alemanha terá cidade medieval construída apenas com técnicas do século IX

Berlim (Segunda-feira, 09-04-2012, Gaudium Press) Não. Não é uma utopia de um grupo de nostálgicos excêntricos, ou o projeto raro de um multimilionário que não sabe o que fazer com sua vida e seu dinheiro. Na próxima construção de uma cidade medieval – ainda na aurora do 3º Milênio – estão implicados historiadores, arquitetos, e representantes de outras profissões, que conformam o conselho diretivo do projeto. A financiação inicial corre a cargo da cidade em cujas cercanias será construída esta cidade, do estado e da União Europeia.

Não. Trata-se da cidade idealizada por Bert Geurten, ao estilo das cidades-monastério carolíngias, do século IX, que ficará localizada nos arredores de Messkirch, no estado alemão de Baden-Württemberg, entre o Danúbio e o Lago Constanza. A construção do complexo se iniciará em abril de 2013 e calcula-se que será concluída em 2050.

No ano de 2050? Sim, fundamentalmente porque ela será construída usando apenas materiais e técnicas do século IX. “Desde os morteiros até as paredes, desde os casacos até os menus, cada aspecto da operação será levado adiante tal como eram os dias de Carlos Magno”, reporta Angelica Franz, na edição inglesa digital do Der Spiegel. Então, não haverão guindastes, nem misturadores, nem casacos impermeáveis ou brocas mecânicas, e os evocativos carros guiados por bois serão a companhia forte e amigável dos operários do empreendimento.

Essas limitações são auto-impostas também com um ânimo eminentemente investigativo, pois há muito poucos documentos que hajam sobrevivido deste período histórico. “Nosso objetivo não é concluir tendo uma cidade monastério, mas construí-la”, disse Bert Geurten. Ou melhor dizendo, a própria construção será como entrar em um túnel do tempo rumo a um ambiente típico do império de Carlos, o Grande, e ali adentrados, investigar “in loco” como era a vida de então.

Como não podia deixar de ser, se se queria fidelidade ao espírito da época, a primeira edificação da cidade será uma igreja, mas de madeira. “Obviamente, na Idade Média, não construíram a grande igreja de pedra em primeiro lugar”, disse Geurten. Antes de começar as grandes obras os artesão faziam comumente um pequena igreja de madeira, onde desenvolviam sua vida de piedade e orações. Essa igreja já lhes ia servindo de inspiração para a maior.

Voluntários ajudam
Impressiona a acolhida que está tendo a obra, apesar das duras condições impostas. “O salário líquido é de aproximadamente 1.200 euros por mês para cada artesão. Não podemos pagar mais”, disse Geurten. E entretanto, o diretor já recebeu 85 aplicações de pedreiros que querem trabalhar nele. “Todos eles sonham com ter a oportunidade de trabalhar com suas próprias mãos”.

Além disso, segundo Geurten, existem pessoas que querem trabalhar voluntariamente para a construção da cidadela. “Desde os pilotos da Lufhtana até um mestre, todo tipo de pessoa tem pedido para fazer parte da obra”, assinalou o diretor. Como dado curioso, mas que dá um pouco o ‘sabor’ do entusiasmo com que alguns contemplam a inciativa, uma das aplicações destes voluntários chegou escrita em alemão medieval e estampada em um rolo real de pergaminho.

É claro que estas obras também estarão abertas ao turismo – de maneira parecida ao que ocorre com um projeto similar na Borgonha francesa – do que buscam também financiamento. Entretanto, com o objetivo de prepará-los adequadamente para viver sua “experiência medieval” os visitantes deverão caminhar longamente desde o estacionamento onde pararão seus automóveis até o local da construção.

É certo também que os visitantes poderão degustar um apetitoso menu. Entretanto, ele apenas incluirá pratos com características do século IX. “A batata era desconhecida”, disse Geurten. “E não haverá café disponível para beber. Além disso, tudo o que os comerciantes e visitantes comerão será cultivado nos terrenos vizinhos à construção.

Geurten, de 62 anos, sabe que não verá concluída sua obra. Não obstante e a exemplo de muitos artesão e arquitetos medievais, isto tão pouco lhe importa. “Eu só quero o túmulo dos “pais-fundadores” na cripta. Ali a gente poderá ir e acender uma vela por mim”, disse.

Fonte: Gaudium Press / S. C.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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