Administrar

Deus cuida de toda criatura. Tudo vive em harmonia, conforme as leis da natureza. Para o ser humano Ele tem atenção especial, mas, como sua imagem e semelhança, lhe dá uma incumbência de cuidar do planeta. Ele não interfere, a não ser falando continuamente à consciência, por meio de quem Ele incumbe de lembrar seus ensinamentos, através de sua Palavra e dos acontecimentos, para uma administração proveitosa em bem de todos. Cuidar ou não cuidar de tudo tem conseqüências buscadas pelo próprio homem. Apesar de tantos desvios da conduta humana, o Criador  o adverte sempre através da história . Envia até seu Filho, que nos fala em linguagem humana sobre como viver na terra com meios e objetivo definidos: “Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor” (Filipenses 4, 8). Fazer o contrário do proposto por Ele não dá frutos bons para nós: “o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos” (Mateus 21,43).

Mas o trabalho de administrar os dons, o convívio e as coisas não é só incumbência de cada um isoladamente. É preciso haver solidariedade, união, convergência de esforço, inteligência e boa vontade. Afinal, o barco da vida é veículo em que todos se encontram. As  religiões devem ser os primeiros agentes de colaboração a que todos se entendam no mútuo apoio para o encaminhamento do transporte atingir sua meta. O estrago do navio levaria todos para o naufrágio.  A cooperação de cada um para a boa conservação da nau e a convivência justa, pacífica, a proteção da vida e da saúde de todos farão o bem estar e a segurança geral.

Requisitos para a boa organização do convívio no meio de transporte da vida: infundir em cada um o valor da dignidade da vida acima de qualquer bem material; formar a consciência da cidadania em que cada um se sinta corresponsável com a promoção do semelhante e o cuidado com a natureza; cooperação de todos para a formação de famílias cultivadoras da grandeza do caráter,  com a formação para o comportamento ético em todas as circunstâncias; utilização da política partidária de real serviço à coletividade, a partir dos mais fragilizados e excluídos; priorizar a educação de qualidade não só na aprendizagem cultural e técnica, mas, especialmente, com os bens da cidadania, da justiça, do respeito aos valores inerentes à natureza dos seres, da família e da vida.

Administrar os próprios dons deve ser conjugado com o bem do outro. Assim,  os frutos serão de duas mãos, ou seja, de quem é ajudado e de quem ajuda o semelhante. Deus vai pedir conta do que fizemos da vida e dos outros dons a nós oferecido de graça por Ele. Aliás, nossa vida e conduta podem ser como a faca de dois gumes: ou os utilizamos para a vida ou a morte nossa e dos outros. É de bom alvitre aprendermos a usá-los para o proveito de todos. Não podemos pensar como quem rouba e acha que ficará impune. Em última análise, um dia deixamos esta vida terrena em busca da felicidade definitiva. Tomara que a mereçamos com plena felicidade. Tudo depende da misericórdia de Deus. Mas Ele haverá de ver nosso esforço e boa vontade para realizarmos o melhor de nossa parte, administrando bem a oportunidade que a vida nos oferece.

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Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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