A utopia socialista sobrevive

O século
XIX foi o patrocinador de grandes sonhos sociais que, quase todos, acabaram
morrendo na praia. A queda do delírio comunista,  abalou profundamente as
profecias deterministas, com data marcada de vitória. A visão dos principais
líderes agora já preconiza melhores tempos. Mas o socialismo, uma heresia de
raiz cristã, como um eco, continua se propagando, mesmo que o som original já
esteja extinto. Assim dá  aparências de grande vigor. Está aí o “Programa
Nacional de Direitos Humanos-3”, um verdadeira alucinação socialista,
representativa do que de mais retrógrado pode haver. Estão aí numerosos
partidos políticos, que não abandonaram o viés utópico do século das grandes
ideologias. Está aí a Teologia da Libertação, em si boa, mas negativa quando
não purificada de sua ferramenta marxista. Estão aí certas Campanhas da
Fraternidade que,  quando  voltadas para os jovens, não conseguem
esconder suas preferências por um chamado “mundo melhor” sem defeitos  A
grande pergunta é: por que persistem tais idéias, apesar de tantas
evidências maléficas contrárias?

A resposta
é simples. Querer acabar com o egoísmo aproveitador, com o lucro excessivo,
livrar os pobres da exploração, garantir a igualdade social entre todos, 
é uma proposta sumamente tentadora. Dela não conseguem escapar os
representantes da nova geração, cheios de ideais magníficos, que consideram os
do outro lado todos defensores de privilégios, elites opressoras, perseguidores
dos pobres. O socialismo não consegue fugir de um erro de nascença. Pau que nasce
torto, cresce torto. Trata-se do método. Este precisa ser impositivo e
ditatorial. Nenhum povo se deixa convencer de abandonar suas conquistas, e
sobretudo a sua liberdade. O socialismo não consegue ser respeitador da
liberdade. Nem quando se paramenta de democrático. Misturar as duas coisas,
pegar só o que é bom de cada lado, definitivamente não dá. Com isso não estamos
canonizando o capitalismo liberal que, como o socialismo, tem raiz atéia.
Encontrar a terceira via, alijando o capitalismo egoísta, e o socialismo cruel,
é um desafio que perdura quase dois séculos. “A mulher, tendo perdido a moeda,
acende a lâmpada, varre a casa, e a procura até encontra-la” (Lc 15, 8).Dom Aloísio
Roque Oppermann scj 
Arcebispo de Uberaba, MG

Fonte:
Arquidiocese de Uberaba/MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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