A Trilogia Analítica

Em síntese: A Trilogia Analítica se devem reconhecer dois grandes méritos:

– o de tentar a conciliação entre psicanálise e fé religiosa – coisa que Freud rejeitou, de modo a caracterizar a psicanálise ortodoxa;

– o de excitar o paciente à correção de suas falhas morais (inveja, megalomania…) ou o do provocar a conversão pessoal e o reescalonamento dos valores (colocando-se Deus e os bens espirituais em primeiro lugar).

Todavia o papel atribuído pela Trilogia Analítica ao demônio é exagerado. A fé cristã admite a existência do demônio e a sua atuação no mundo (cf. Ap 12, 13-17), mas, sempre que algum fenômeno tem explicação psicológica ou parapsicológica, a Igreja a aceita e se dispensa de o imputar diretamente ao Maligno.

O ponto nevrálgico e deficiente de toda a síntese trilógica é precisamente a negação do inconsciente e da influência dos fatores inconscientes sobre o comportamento do homem, Norberto Keppe, o fundador da Trilogia, de certo modo substituiu o inconsciente pelo demônio – o que não é teológico nem científico. O poder do inconsciente é fato amplamente comprovado por pesquisas e pela experiência de todo ser humano.

Comentário: Tem-se imposto ao público estudioso, no Brasil e no estrangeiro, uma nova Escola de psicanálise, que realizou aos 13 e 14 de agosto pp. na cidade de São Paulo o seu I Simpósio Internacional de Demonologia, com a participação de mais de trezentas pessoas, do Brasil e de fora. A nova Escola deve-se ao Dr. Norberto Keppe, profissional de formação católica em sua juventude, que desenvolveu sua formação científica em 1958-1960 em Viena (Áustria); como psicanalista freudiano, trabalhou doze anos, inclusive no Hospital das Clínicas de São Paulo (SP). Ao verificar que a corrente freudiana, materialista como era, não satisfazia às exigências do ser humano e de válida psicoterapia, voltou-se para as proposições de Melanie Klein e, a seguir, para as de Viktor Frankl (donde o livro From Sigmund Freud to Viktor E. Frankl. Integral Psychoanalysis¹).  Aos poucos, a experiência e as reflexões daí decorrentes fizeram que Norberto Keppe constituísse sua escola própria, dita “Psicanálise Integral ou Trilogia Analítica”. O nome “Trilogia” lhe vem do fato de que tenciona conjugar entre si as proposições da ciência, da filosofia e da Religião ou do pensamento, do sentimento e da ação.

Nas páginas subsequentes, examinaremos as grandes linhas doutrinárias da Trilogia Analítica e lhes acrescentaremos alguns comentários, valendo-nos não somente dos escritos dessa corrente, mas também da experiência colhida em participação no I Simpósio de Demonologia realizado em São Paulo aos 13-14/08/83.

1. Que é a Trilogia Analítica?

Norberto Keppe admite seja o homem composto de corpo e alma. Distancia-se, porém, de Sigmund Freud na medida em que nega a existência de fatores inconscientes ou do Id. Segundo o pai da psicanálise, os comportamentos desatinados do ser humano  têm sua raiz em impressões guardadas no inconsciente do sujeito; a psicanálise teria a função de detectar tais fatores inconscientes a fim de facilitar ao indivíduo a superação dos mesmos.

Ora N. Keppe julga que a tese de Freud é positivista e materialista. Afirma que a conduta desregrada do ser humano se deve aproximadamente a três grandes fatores do próprio psiquismo humano:

– a inversão: o indivíduo coloca os valores importantes em segundo lugar e se entrega aos devaneios da sua imaginação, cujos ingredientes são dinheiro, sexo tóxicos…;

– a inveja (de in-videre ou não ver, segundo N. Keppe): o indivíduo não quer ver a realidade que o cerca (bondade, afetos, beleza…) e se entrega à destruição, à alienação, à inconscientização…;

– a teomania ou megalomania: o ser humano quer ser Deus e por isto se prejudica e desfigura. Em última análise, porém, há

seres espirituais existentes fora e independentemente do homem, que instigam os comportamentos invertidos, invejosos e megalomaníacos do ser humano. Tais são os demônios, cuja influência sobre os homens, em linguagem trilógica, é explicada por telepatia (!) ou por comunicação de maus pensamentos e maus desejos telepáticos. – Os demônios, em conseqüência da sua queda original, não têm mais luz nem consciência nem amor; por isto eles precisam dos homens para absorver e sugar toda a luz que possam sugar. Visto que os demônios não têm consciência, julgam que ainda vencerão o Senhor Deus e serão superiores a Deus.

Norberto Keppe e sua escola, tendo investigado manicômios, prisões, centros kardecistas e umbandistas…, julgam evidente a atuação do demônio nas pessoas que apresentam aberrações morais, psíquicas e físicas… A humanidade fez um pacto com o demônio desde Adão e Eva, e deve em nossos dias romper finalmente tal pacto.

A cura que a Trilogia Analítica propõe aos seus pacientes, é obtida pela consciência. Esta não tem que ver com norma da moralidade propriamente dita, mas é “o olhar da eternidade derramado em nosso interior” (N. Keppe, Glorificação p. 13); é a intuição de que a inversão, a inveja e a teomania destroem a personalidade. A escola trilógica é geralmente contrária ao consumo de medicamentos; assim como julga que as doenças físicas e psíquicas provêm de uma desordem de atitudes inferiores, assim crê que a cura de tais moléstias se faz mediante a correção de tais atitudes¹. Visto, porém, que os desmandos interiores e exteriores se prendem à ação do demônio, a Trilogia apregoa a expulsão do Maligno, não por exorcismo, mas por tratamento de psicanálise integral (infelizmente os mestres da Trilogia não entendem o que seja o exorcismo e, por isto, o confundem com a magia).

Embora a Trilogia professe a existência de Deus, a de Jesus Cristo como Deus e Homem (ao menos, segundo a maioria dos seus adeptos), a dos anjos e dos demônios, ela se opõe ao que chama “as Instituições Religiosas”, e, em especial, à Igreja Católica; os Religiosos são, para tal escola, “os funcionários da Religião”. A razão de tal aversão é a valorização da cruz ou “o escândalo da cruz” (1Cor 1,23) apregoada pelo Apóstolo São Paulo; a ascese e a procura da perfeição evangélica, caras aos cristãos, são tidas como expressões de teomania dos Religiosos. A Trilogia se compraz em analisar a história do Cristianismo e denunciar falhas dos cristãos na maneira de considerar o demônio, as bruxas, a mania…

Uma vez exposta sinteticamente a doutrina trilógica, importa tecer-lhe alguns comentários.

2. Refletindo…

Antes do mais, convém perguntar:

2.1. Por que tanto sucesso?

Julgamos que três são os principais fatores do êxito da Trilogia Analítica:

1) Uma psicanálise aberta ao Transcendental. A escola de Sigmund Freud, de ampla irradiação, associou a técnica analítica com materialismo, pansexualismo e menosprezo da Religião. Ora tais notas lançaram, na mente de muitos clientes e estudiosos (especialmente de Cristãos), o descrédito sobre a psicanálise ortodoxa. Ora, com Norberto Keppe, aparece uma escola analítica que não somente não nega Deus e os valores religiosos, mas até mesmo os proclama e os incute (talvez se possa dizer que a Trilogia fala mar do demônio do que de Deus). Este aspecto cristão (embora deficientemente cristão) aparece como uma novidade positiva e valiosa para aspessoas formadas na escola do Cristianismo.

2) Recomendação da regeneração ética. Embora a Trilogia não use as palavras “ética” e “moral”, é certo que ela toca no autêntico princípio de recuperação de muitas personalidades doentias ou desfiguradas, a saber: a superação das desordens fantasistas e volitivas do ser humano; a Trilogia apregoa a conversão em lugar da inversão. A denúncia explícita dúvida, acelera a restauração do equilíbrio da personalidade. – Está claro, porém, que o recurso generalizado às influências demoníacas (por via telepática e outras) para explicar as desordens afetivas e volitivas do ser humano é ponto falho, que a teologia católica e a sã filosofia contestam com bons argumentos.

3) A aceitação do demônio e de sua atuação no mundo, embora seja exagerada e erroneamente professada pela Trilogia, é ainda um ponto que atrai o interesse de muitas pessoas religiosas, cristãs ou ecléticas. Especialmente um Simpósio sobre Demonologia, instituído sob os auspícios de cientistas e psicólogos, como foi o de 13-14/08 pp., não podia deixar de suscitar curiosidade pela sua índole inédita, quem visse a propaganda preparatória do Simpósio, poderia crer que a existência atuante e influente do demônio no mundo é uma conclusão de pesquisas científicas.

2.2. Aspectos negativos…

Sejam realçados três tópicos com seus sub-itens.

1) Negação do inconsciente. Esta é uma das características  de mais avultadas conseqüências na Trilogia. Tal recusa leva esta corrente a atribuir ao demônio o comportamento invertido, a megalomania e a inveja.

Ora a existência do inconsciente e do seu enorme potencial é corroborada pela prática de médicos e psicólogos de renome, além de ser um fato de experiência comum; quem, por exemplo, esquece freqüentemente o seu guarda-chuva, esquece-o provavelmente porque em seu íntimo acha molesto andar de guarda-chuva.

A Trilogia alega que de um elemento negativo – o inconsciente – nada pode sair de concreto e positivo (um ato humano, no caso); “o não e o sim não são a mesma coisa”, diz Norberto Keppe. Ora nisto há um equívoco. O inconsciente da psicanálise de Freud, Jung e outros não é o vazio ou o nada, mas consta de afetos reais e atuantes que não afloram à mente ou à consciência do sujeito; embora não aflorem, eles podem ter, e têm de fato, grande influência sobre o comportamento do indivíduo.

Note-se ainda: um cientista, pelo fato de explicar a conduta humana por atuação de fatores inconscientes, não é materialista nem positivista (no sentido de Comte). Doutro lado, pelo fato de admitir a existência do mundo espiritual e transcendental, o cientista não está obrigado a negar o inconsciente e a atribuir ao demônio todas as manifestação deficientes da conduta humana. Pode um estudioso aceitar a realidade do inconsciente e do subconsciente sem adotar a filosofia materialista e pansexualista de Sigmund Freud.

2) O conceito de demônio na Trilogia é assaz confuso e não resiste ao crivo da filosofia. Com efeito; haveria a) os demônios principais (Lúcifer e seus sequazes), b) as almas endemoniadas das pessoas más que morreram e atualmente perseguem os vivos, e c)os demônios humanos ou encarnados neste mundo. – Ora o demônio é um anjo decaído que não tem corpo, ao passo que a alma humana é naturalmente criada para animar  um corpo; nenhuma alma humana se torna demônio, embora possa conceber malícia e perversão em alto grau.

A Trilogia admite que crianças no Brasil, nos Estados Unidos, na Dinamarca e em toda parte vejam pequenos seres escuros e monstruosos, que seriam os próprios demônios; admite que se possam ouvir urros do demônio – o que supõe falsamente tenha o demônio um corpo.

Os sintomas de possessão diabólica, segundo a Trilogia, seriam: emissão de sons inarticulados, força descomunal, variação de vozes, gritos, levitação, palavrões, doenças mentais, mau cheiro, incontinência… Ora tais fenômenos hoje em dia são inexplicáveis pela parapsicologia; se, pois, têm elucidação natural, não devem ser imputados à possessão diabólica. A Igreja admite, sem dúvida, a possessão diabólica (se não existisse, Jesus teria fingido nos Evangelhos), mas não a admite com a frequência que a Trilogia supõe).

Observa-se, aliás, que os
mestres e monitores da Trilogia entram facilmente em assuntos especificamente bíblicos e teológicos, dando orientações para a vida religiosa e espiritual – o que já não compete a psicólogos e psicanalistas. As questões bíblicas e teológicas devem ser reservadas aos especialistas na matéria, em vez de ser “definidas” por estudiosos de outras áreas. Assim evitar-se-ão o ecleticismo e a confusão de noções em que incidem não raro os arautos da Trilogia. Percebe-se que estes trazem certa formação básica cristã, mas a mesclaram com noções heterogêneas, distanciando-se de autêntica teologia.

3) De modo geral, as concepções que tal corrente apresenta com referência à Religião Católica são errôneas. Assim:

a) a Igreja Católica não se terá orientado por Jesus Cristo, mas por São Paulo, que apregoava a mortificação do corpo (cf. 1Cor 9,24-27; Gl 5,16-24; 6,14); em conseqüência, “logo após a morte de Cristo, o demônio já conseguiu desviar a orientação de Deus. Este fenômeno continuou por toda a Idade Média e Moderna, atingindo a própria ciência: a psicanálise, toda a psicologia moderna, artes e vida social” (N. Keppe, A verdadeira espiritualidade, p. 10).

Nisto há certamente enorme equívoco. A exortação à mortificação não é peculiar do Apóstolo São Paulo, mas procede do próprio Jesus:

“Disse Jesus aos seus discípulos: “Se alguém quer vir após min, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas o que perder a sua vida por causa de mim, a encontrará. De fato, que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca de sua vida?” (Mt 16,24-26).

Quando, pois, a Igreja prega a renúncia às paixões da carne, não faz senão reproduzir a mensagem de Cristo. Tal pregação, porém, nada tem de dualismo ou maniqueísmo; o corpo como tal não é considerado mau, pois é criatura de Deus; evidentemente, porém, é a sede de instintos que nem sempre condizem com as diretrizes da razão e da fé. De resto, o amor à Cruz no Cristianismo não se deriva de masoquismo ou sadismo, mas unicamente do fato de que a cruz liberta o homem dos seus instintos desregrados e o habilita a ressuscitar com Cristo; a perspectiva da ressurreição é inseparável da imagem da cruz.

b) A procura de perfeição espiritual ou de santidade por parte dos cristãos não deve ser confundida com teomania ou megalomania. É simplesmente a resposta a um convite do próprio Cristo, que dizia: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (Mt 5,48). A perfeição espiritual inclui profunda humildade; significa “deixar que a graça de Deus frutifique na vida do cristão”.

c) A Trilogia ensina que quem trabalha ganha seu pão e não precisa de esmola. Só necessita de auxílio alheio ou de esmola quem não trabalha; e quem não trabalha, é preguiçoso. Por conseguinte, quando a Igreja exorta os fiéis a se interessarem pelos pobres a fim de os socorrer e promover, está fazendo obra errada, pois está favorecendo a preguiça. – Ora não há quem não perceba a simploriedade deste sofisma; em nossos tempos, tão marcados por recessão e desemprego, há milhares de pessoas honestas que procuram trabalho sem o encontrar e, por isto, passam fome, merecendo a solicitude da Igreja e dos cristãos em geral; o menosprezo por tais pessoas seria falta de senso humanitário e hipocrisia. Ademais a Igreja apregoa a pobreza, não, porém, a miséria, pois esta equivale a um estado de vida sub-humano.

d) A tese trilógica de que as doenças são conseqüências do pecado, exige reparos. O livro do Gênesis (3,16-19) e São Paulo (RM 5,12) ensinam que, pelo pecado dos primeiros pais, a morte e seus precursores entraram no mundo. Isto, porém, não quer dizer que toda doença resulte de pecados pessoais do paciente; muito menos significa que, quanto mais alguém sofre, mais é pecador. O livro de Jó atesta que Deus pode submeter o homem reto à prova para acrisolá-lo na virtude ou para ajudá-lo a se libertar de suas paixões. Note-se ainda que a Igreja está longe de alimentar nos seus fiéis uma mentalidade tristonha ou conformista, própria de “vítimas do destino”; a mensagem evangélica, apregoada pela Igreja, libertou o homem das cadeias da superstição e de forças cegas irracionais para despertar nele a convicção de que é colaborador de Deus na obra da criação. Como imagem e semelhança de Deus, o homem está subordinado tão somente a Deus e às autoridades que legitimamente recebam de Deus o seu poder (cf. Rm 13,1-7).

e) Os arautos da Trilogia apontam freqüentemente a Idade Média como período de obscurantismo e Inquisição. – Há nisso um preconceito contra a Idade Média, que estudos modernos têm contribuído para dissipar. Cf. PR 240/1979, pp. 520-534.

Além disto, a Inquisição há de ser entendida dentro dos parâmetros da sua época e não à luz da mentalidade moderna; os medievais julgavam de boa fé que o demônio estava presente nos fenômenos estranhos daqueles tempos e procediam de acordo com os ditames da sua consciência; nenhum dos grandes santos medievais, nem mesmo S. Francisco de Assis, que até hoje é estimado, teve palavras de protesto frente à Inquisição. Donde se vê que não seria justo acusar os medievais como se fossem criminosos ou homens destituídos de valores.

f) Quem lê as obras da Trilogia Analítica, verifica que têm pretensões “grandiosas”: na base de interpretações simplificadas, criticam as mais diversas escolas filosóficas com uma segurança, por vezes, simplória. Espontaneamente propõe-se à mente do leitor de tais obras a impressão de que a megalomania inconsciente movia os seus autores. Tenha-se em vista, de modo particular, o opúsculo “A verdadeira espiritualidade” de Norberto Keppe, onde a história da Filosofia é percorrida com as suas sucessivas escolas e um qualitativo geralmente de censura para cada um. – De resto, quem discorda das teses da Trilogia, é tido, de público, como endemoniado!…

3. Conclusão

1. Em poucas palavras, tem-se a impressão de que, da parte dos mentores da Trilogia Analítica, há certamente a boa intenção de rejeitar o materialismo e o pansexualismo da escola freudiana. À Psicanálise Integral se devem reconhecer dois grandes méritos:

– o de tentar a conciliação entre psicanálise e fé religiosa – coisa que Freud rejeitava de modo a caracterizar a psicanálise ortodoxa;

– o de excitar o paciente à correção de suas falhas morais (embora não denunciadas como defeitos morais) ou o de provocar a conversão e o reescalonamento dos valores colocando-se Deus e os bens espirituais no topo da escala), em oposição à inversão dos valores que desfigura o ser humano. É realmente em muitos casos o próprio paciente quem, praticando a ascese e a disciplina sobre si mesmo, pode-se livrar de perturbações mentais.

2. Dito isto, resta dizer que o papel atribuído ao demônio pela Trilogia Analítica é exagerado e falso. A fé cristã crê que o demônio existe e atua no mundo (cf. Ap 12, 13-17), mas, sempre que algum fenômeno tem explicação psicológica, a Igreja a aceita e se dispensa de o imputar diretamente ao Maligno.

O ponto nevrálgico e deficiente de toda a síntese trilógica é precisamente a negação do inconsciente e da influência dos fatores inconscientes sobre o comportamento do homem. Norberto Keppe, de certo modo, substitui o inconsciente pelo demônio em nome do espiritualismo ou do antimaterialismo – o que não é teológico nem científico..

Pergunta-se, para terminar:

visto que o autor tem evoluído  em seu pensamento, será que ainda chegará a rever as suas posições exageradasreferentes à atuação do demônio no mundo? E será que compreenderá melhor o papel da Igreja através dos séculos e em nossos dias?

Fazemos votos para que sim, a fim de que se possa salvar o que de bom e válido traz ao público a Trilogia Analítica.

¹Proton Editora, São Paulo (SP).

¹A Trilogia não costuma falar de pecado nem de regeneração ética, mas, na verdade, ela aponta com outros nomes para tais realidades.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb

Nº 270 – Ano 1983 – p. 433

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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