A teia da vida

Uma noite, indo tomar água no mosteiro onde vivo, percebi que havia em um canto, onde ocorre a junção das duas paredes com o teto, algo um pouco diferente. Este cômodo da casa não possui lustre, sendo sua iluminação feita através de uma arandela, cuja luz se projeta diretamente nesta junção de paredes. Por tratar-se de uma região cercada de abundantes árvores e densa vegetação, muitos mosquitos foram atraídos por aquele foco de luz em plena escuridão selvagem, fazendo daquele canto uma verdadeira coleção biológica.

Porém, os mosquitos não foram os únicos a tirar vantagem da situação. Uma pequenina aranha percebeu toda a movimentação de insetos naquele local e certamente viu ali uma rica fonte de alimentação. Durante o dia havia tecido maravilhosamente sua teia, mostrando-se boa conhecedora das leis arquitetônicas.

Uma distraída mosca teve seu voo interceptado pelas fortes, mas quase imperceptíveis teias. Presa e sem saber como desvencilhar-se, a mosca batia as asas desesperadamente, sem se dar conta de que quanto mais procurava sair da teia, mais ficava envolvida por aquela situação. A aranha, que olhava a cena discretamente, rápida se lançou ao trabalho. Medindo apenas a metade do tamanho da mosca, laçou as asas dela com uma agilidade única. Em poucos minutos a mosca estava completamente imobilizada e seria longamente apreciada pela aranha durante suas refeições. Triste fim para aquele inseto que buscava a luz em meio à madrugada…

Este fato aparentemente sem importância fez despertar um pensamento religioso. Deus havia permitido aquela “tragédia”, certamente tinha uma mensagem a transmitir neste ciclo natural da cadeia alimentar.

Os insetos buscaram aquela luz refletida na parede por causa de algum instinto natural, mas nós buscamos a luz da salvação eterna para a qual fomos criados. Esta luz nos atrai, pois sabemos que fomos feitos para ela e somente buscando-a seremos felizes. No entanto, quantas e quantas vezes a vida não nos apresenta teias nas quais nos vemos presos?

Às vezes trata-se de problemas familiares, ou talvez sejam os conflitos no trabalho. Problemas e mais problemas circundam o nosso dia a dia e, se não tomarmos cuidado, corremos o risco de nos prender neles de forma que já não saberemos mais sair dessas teias. Quando isto acontece, o demônio, que antes não tinha tanto poder sobre nós, percebe o momento propício de terminar de nos envolver nesses problemas e o resultado nós já sabemos qual é…

Portanto, para não entrarmos nas teias da vida é necessário nunca nos esquecermos que a nossa vocação de cristão é a santidade, pois só ela poderá nos conduzir a esta luz maravilhosa da visão beatífica. E nada melhor do que rezar a Nossa Senhora, pois ainda quando estejamos completamente envolvidos por todas as teias da vida, Ela conseguirá nos libertar e nos reconduzirá ao bom caminho, o caminho da luz…

Fonte: Gaudium Press
por Thiago de Oliveira Geraldo

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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