A primeira Árvore de Natal

A época natalina sempre desponta com uma euforia de cores e alegria. As casas e ruas engalanam-se para celebrar o maior acontecimento da humanidade: o nascimento do Salvador. São cantadas sublimes e harmoniosas canções para embalar o Menino Deus. Os abetos -semelhantes aos pinheiros-, sempre verdes, são enfeitados com belos e vistosos adornos, com luzes, com chocolates, com doces…

Quem, em sua infância não se alegrou montando uma árvore de Natal em casa? Contudo, muitos ainda se perguntarão: quem teve a ideia de decorar a primeira árvore na véspera de Natal?

Vamos recordar a história da origem lendária deste bonito costume da época de Natal.

* * *

Era noite. A natureza dormia sob um manto branco, suave e frio nas longínquas terras do Oriente. As estrelas cintilavam nas alturas e a lua parecia competir em brancura e brilho com a neve. As árvores, despojadas de folhas e flores, com suas lágrimas congeladas pendiam dos ramos, parecendo diamantes reluzentes à luz clara da lua.

Contudo, uma árvore se conservava verde e exuberante: era o abeto que, apesar do gelo e do frio do inverno nunca perdia sua folhagem e parecia reinar naquela solidão.

Mas, tudo dormia? Não. Em uma pobre e fria gruta dos arredores uma jovem virgem, de extraordinária beleza, vigiava junto com seu casto esposo. Em poucos minutos seria Mãe.

À meia noite. De forma milagrosa –porque não era um menino qualquer– nascia o Bebê. Era ao mesmo tempo Deus e homem, criatura frágil e terna, porém era o Ser eterno e todo-poderoso, o Salvador da humanidade prometido aos profetas e anunciado por eles: Jesus, o Filho de Deus e de Maria!

Uma melodia linda e desconhecida
Num instante o céu se enche de luzes, cores e sons extraordinários. E aparece uma multidão de anjos que anunciam o nascimento do Redentor cantando: “Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

A natureza, até agora seca e congelada, de repente, começou a tomar vigor como se fosse primavera.

As árvores renovavam suas folhas e suas flores, ficando mais bonitas que antes. Todo se tornava colorido e perfumado. Os mais variados animais, pequenos e grandes, saíram de seus refúgios para brincar alegremente na neve, coberta já de vida. Os pássaros abandonaram seus ninhos para cantar as mais belas e harmonias a seu Criador feito homem.

Também entre as árvores a alegria era generalizada pois, todos queriam louvar este maravilhoso nascimento e todos tinham algo a oferecer ao Menino Deus que acabava de nascer.

Só uma entre as árvores estava triste e cabisbaixa: o abeto. Era o único que permanecia verde em meio ao inverno. Contudo, agora, é o único que não tinha flores, nem frutos para oferecer a Jesus.

Seus ramos estavam cobertos de folhas, é verdade, porém, espetavam e pareciam espinhos, e não lhe permitiam aproximar-se do recém nascido, pois, feriria sua suave e delicada pele.

As demais árvores se compadeciam de sua desventura, porém não podiam fazer nada. E o abeto gemia em voz baixa, sem que houvesse ninguém a quem recorrer…

Será verdade que não havia ninguém para remediar sua tristeza?

As estrela, lá do alto, resplandeciam com mais fulgor e desta maneira também louvavam o Menino Jesus. E, ao iluminá-lo todo, deram-se conta de que na Terra havia alguém que não participava da mesma felicidade de todos. Era o pobre abeto que se sentia inútil e envergonhado.

Então, elas se olharam umas as outras com pena e a maior e mais brilhante propôs:

–Vamos a ajudar-lo? Temos tanta luz e somos tantos que bem poderíamos emprestar-lhe um pouco de nossa luminosidade. Deste modo ele teria algo que oferecer ao Menino Deus.

Todas aceitaram a proposta e, com a rapidez do relâmpago, se lançaram sobre o abeto, que ficou assustadíssimo, pensando que se incendiaria. Porém, o susto passou em seguida e, num instante, se viu todo coberto de brilhantes estrelas de todas as cores.

Que alegria! Agora sim que era digno de apresentar-se diante do Divino Infante para louvá-lo.

Ao vê-lo, o Menino Jesus sorriu de modo encantador e estendeu suas adoráveis mãozinhas para colher aquelas luzes tão cintilantes.

O Abeto não cabia em si de alegria… Por fim, depois de tanta tristeza, tinha um agrado que faria sorrir seu Criador.
Desde então, em todos os aniversários do Menino Jesus, as estrelas, sem faltar uma só vez, se desprendiam do firmamento para pousar nos ramos de todos os abetos da Terra e se entregavam, estrelas e abetos, como presente ao Menino Deus.

Quando Jesus subiu aos Céus, as estrelas já não baixavam mais à Terra para adornar os abetos. Então subiam mais alto ainda do que estavam para ficar mais próximo do Deus Humanado e, de alguma forma, embelezar ainda mais aquela festa eterna.

Contudo, na Terra, para recordar esse prodígio um dia acontecido, os meninos começaram a decorar os abetos no tempo de Natal com bolinhas coloridas, estrelas reluzentes e todo tipo de adornos e guloseimas, como oferenda de seus inocentes corações para alegrar o coração do pequeno Salvador.

***

Neste Natal, saibamos nós também oferecer o que tenhamos de melhor a esse Deus feito Menino para que nos abra as portas do Paraíso perdido pelo pecado, a espera do momento em que possamos participar com Ele, sua Santíssima Mãe e São José, do grande banquete da vida celestial.

Por Irmã Tammie Laura Bonyun, EP

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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