A porta da fé e da salvação

“Eu sou porta”. Se alguém entrar por mim, será salvo (Jo 10,9)

“A vida falta uma parte / – seria o lado de fora – / para que se visse passar / ao mesmo tempo que passa / e no final fosse apenas / um tempo de que se acorda / não um sono sem resposta. / À vida falta uma porta”.

Poeta Ferreira Gullar

“A Porta da Fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma”. Com essas palavras, Papa Bento XVI iniciou a Carta Apostólica “Porta Fidei”, com a qual se proclama o Ano da Fé. Este teve inicio em 11 de outubro deste ano com a comemoração dos 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II, 20 anos da promulgação do Catecismo da Igreja Católica e estende-se até 24 de outubro de 2013, na Solenidade de Cristo Rei. “O caminho da fé dura toda a vida”, diz o Pontífice, e merece um empenho constante. O Catecismo da Igreja Católica em sua primeira parte explica: “A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo, e inseparavelmente, a aceitação livre a toda a verdade que Deus revelou”. É um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Mesmo sendo dom, é necessária uma resposta humana livre. Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la pela Palavra de Deus; implorar ao Senhor que a aumente. Ela deve agir pela caridade, ser carregada pela esperança e estar enraizada na fé da Igreja. “A fé nos faz degustar por antecipação a alegria e a luz da visão beatífica, meta da nossa caminhada na terra. Veremos, então, Deus face a face, tal como Ele é. Ela já é, portanto, o começo da vida eterna” (cf. CIC 150 a 170). É pela fé em Jesus Cristo que somos filhos de Deus (Ef 3,9). A fé é um do de Deus e pela qual somos salvos por meio dela com a graça (Ef 2,8).

A Decisão do Beato João XXIII

O Papa João XXIII foi eleito papa no dia 28 de outubro de 1958. Três meses depois, no dia 25 de janeiro de 1959, surpreendeu o mundo com o anúncio, aos Cardeais reunidos na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, de sua intenção de celebrar um Concílio Ecumênico, “um Sínodo da Igreja de Roma”.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, celebrado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, de 11 de outubro de 1962 a 8 de dezembro de 1965, em quatro Sessões, é o 21° Concílio Ecumênico da Igreja Católica.

Palavras do Papa Bom, como ficou conhecido João XXIII: uma “Igreja sempre viva e sempre jovem, que sente o ritmo do tempo e que, em cada século, se orna de um novo esplendor, irradia novas luzes, realiza novas conquistas”.

Diz a respeito do Concílio Vaticano II, Dom Ennio Appignanesi, hoje arcebispo emérito de Potenza, na Itália, naquele período pároco em Roma: “A Igreja sentiu necessidade de se reencontrar naquilo que é essencial e se repropor ao mundo”. No encerramento, o presidente emérito do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Paul Joseph Jean Poupard, na época padre na Secretaria de Estado do Vaticano, recorda que Paulo VI enviou mensagens para todos os homens de cultura e de governo, mulheres e crianças para mostrar que o Concílio queria se dirigir a todos para que nenhum se sentisse esquecido pela Igreja.

Passaram-se 50 anos, mas de acordo com o Papa Bento XVI, “o Concílio Vaticano II continua a ser uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”.

O Concílio Ecumênico Vaticano II nos fez resgatar uma importante verdade do Evangelho: os pobres do Reino. Ensinou-nos a ser uma Igreja que vai ao encontro do excluídos da sociedade, e nos interroga sobre as atitudes de pompas, triunfalismo e exterioridade. Diria que nos ensinou a ser uma Igreja-Coração, Igreja-Acolhedora e não uma Igreja que busca distinção, inquisição e exaltação no mundo. Para João XIII: “A Igreja da misericórdia e da reconciliação”.

O fundamento para realização do Concílio Vaticano II foi à renovação total da Igreja para viver os grandes desafios dos tempos modernos. O Concílio Vaticano II foi o maior acontecimento na História da Igreja no século XX.

Tal acontecimento veio no poder do Espírito Santo para renovar, avivar e reavivar os católicos a uma profunda experiência com Cristo e com a missão evangelizadora da Igreja em prol da salvação das almas.

Pe. Inácio José do Vale*

*Sociólogo em Ciência da Religião
Professor de História da Igreja
Instituto Teológico Bento XVI
Pesquisador do CAEEC (Área de Pós-Graduação)
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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