A pílula microabortiva

A moda agora é chamar a pílula microabortiva de “contracepção de emergência”. Mas intuitivamente sabemos que um contraceptivo, ou anticoncepcional, caracteriza- se por impedir a concepção, e não por eliminar o concebido. Ironicamente, ao tentar disfarçar a pílula microabortiva sob o nome de “anticoncepcional de emergência”, os próprios abortistas implicitamente reconhecem que a gravidez começa com a concepção (e não com a nidação do embrião na cavidade uterina). Ainda não vi ninguém chamando postinor de “anti-implantatório de emergência”.

Conforme o Dictionnaire Vidal, uma coletânea das bulas dos produtos farmacêuticos comercializados em França, o levonorgestrel, princípio ativo da pílula microabortiva, além do efeito propriamente contraceptivo, “il pourrait également empêcher l’implantation”. O gestodene, por sua vez, atua “au niveau de l’endomètre, qui devient impropre à la nidation”.

Na bula do microgynon, comercializado na França pela Schering, (princípio ativo: levonorgestrel) , consta que “l’endomètre offre des conditions extrêmement défavorables à une nidation en raison des altérations morphologiques et enzymatiques qu’il subit”. O mesmo consta na bula do triquilar (Schering) e do miranova (Schering), com o mesmo princípio ativo, e do mirelle (Schering), que tem o gestodene como princípio ativo. Na bula do microlut, da Schering, que usa o levonorgestrel: “l’action contraceptive de Microlut repose sur le fait que la migration des spermatozoïdes est rendue difficile, voire bloquée (facteur cervical), que la nidation est entravée (facteur endométrial) et que la fonction lutéale est restreinte”.

Na bula do evra, produzido pela Janssen-Cilag, que tem o norelgestromina como princípio ativo, consta que “pueden contribuir a la eficacia del producto las alteraciones del moco cervical y endometrio”.

Na bula do gynovin (Schering España), consta que a ação do gestodene faz com que “el endometrio se hace inadecuado para la implantación”. O mesmo se diz na bula do harmonet (Wyeth Farma), do minesse (Wyeth Farma), do minulet (Wyeth Farma), do triminulet (Wyeth Farma), do meliane (Schering España), do melodene 15 (Schering España) e do trigynovin (Schering España), que possuem o mesmo princípio ativo, e na do loette (Wyeth Farma), do ovoplex (Wyeth Farma) e do microgynon (Schering España), que têm como princípio ativo o levonorgestrel.

A bula do triagynon (Schering España) informa que o levonorgestrel “reduce la receptividad del endometrio para la implantación”. O mesmo é dito na do triciclor (Wyeth Farma), que utiliza o mesmo princípio ativo.

Conforme descrição do levonorgestrel feita no Catálogo de Especialidades Farmacéuticas do Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacéuticos de España (equivalente ao nosso Conselho Federal de Farmácia):

«Acción y mecanismo: anticonceptivo oral de urgencia (“píldora del dia seguiente”); tipo progestágeno de síntesis con débiles actividades estrogénicas y androgénicas. Su mecanismo de acción varia según el momento en que se administre y depende de la combinación de la inhibición de la ovulación y de la implantación».

Aliás, aqui mesmo no Brasil, o laboratório Aché que produz o postinor admitia abertamente seu efeito abortivo:

“Como funciona o método de contracepção de emergência Postinor-2?
Se você tomar o primeiro comprimido de Postinor-2 até 72 horas após ocorrer uma relação sexual desprotegida ele vai impedir ou retardar a liberação do óvulo do ovário, impossibilitando a fecundação ou, ainda, impedirá a fixação do óvulo fecundado no interior do útero (a nidação), através da desestruturação do endométrio (parede interna do útero).”

Posteriormente, essa informação foi suprimida, e hoje consta nas bulas do referido “remédio” (mais propriamente chamado “veneno”) o seguinte:

“Não há nenhuma evidência sugerindo que as pílulas contraceptivas de emergência sejam prejudiciais à mulher ou a uma gravidez existente. (…) Com exceção de uma gravidez existente, não há nenhuma contra-indicaçã o médica conhecida para o uso de Postinor-2 para a contracepção de emergência. Não é recomendado o seu uso em uma mulher que tenha uma gravidez confirmada, primariamente porque não será eficaz.”

http://www.bulas.med.br/index.pl?C=A&V=66506F737449443D36363538266163743
D73686F7752656164436F6D6D656E7473

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Por Rodrigo R. Pedroso

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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