“A nossa época sofre a ausência de Deus”, observa o Papa ao término do “Schülerkreis”

Castel Gandolfo (Segunda-feira, 29-08-2011, Gaudium Press) Foi concluído neste domingo, 28, com missa presidida pelo Papa Bento XVI, no centro Mariopoli, em Castel Gandolfo, o “Ratzinger Schülerkreis”, tradicional seminário do Santo Padre com seu ex-alunos. Na cerimônia de encerramento, o pontífice pediu a Deus para renovar a água viva da fé dos homens, principalmente dos jovens.

“Neste tempo da ausência de Deus”, disse o Papa, “quando a terra das almas está árida e seca e as pessoas ainda não sabem de onde brota a água viva, peçamos ao Senhor que se mostre. Queremos rezar a fim de que àqueles que alhures buscam a água viva, Deus mostre que Ele é a água viva e a fim de que não permita que a vida dos homens e a sua sede de grandeza se afoguem e sejam sufocadas no efêmero”.

Como nos anos passados, na missa de conclusão dos trabalhos do “Schülerkreis”, a homilia foi feita pelo ex-aluno de Joseph Ratzinger, o arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn. O purpurado ressaltou que “o seguimento divino, o ir atrás de Jesus comporta uma total renúncia de si, para poder entrar na ótica de Deus”. Segundo Dom Schönborn, somente não nos conformando a este mundo poderemos fundar e reconhecer a vontade de Deus para a nossa vida. “Essas são as premissas para uma autêntica amizade com Deus, o ponto de chegada do nosso ser convertidos ao Senhor”, afirmou.

“Ratzinger Schürlerkreis”

O seminário do Papa Bento XVI teve início na última quinta-feira, 25. As discussões a respeito do tema “nova evangelização” aconteceram em dois grupos separados, um deles, o chamado velho “Schülerkreis”, formado por ex-alunos de Joseph Ratzinger; e o outro, o novo “Schülerkreis”, formado pela nova geração de estudiosos do pensamento do atual pontífice; cerca de 40 pessoas, ao todo, participaram.

O dia de mais destaque do evento foi sábado, 27, quando a discussão aconteceu com a presença do Papa Ratzinger que dirigiu duas sessões, uma na parte da manhã e outra à tarde. Como observaram seus alunos e a docente de Filosofia da Religião na Universidade de Dresda, na Alemanha, Hanna-Barbara Gerl-Falkovitz, o espírito de professor “acordou” novamente no pontífice. Na ocasião, os ex-alunos de Ratzinger se surpreenderam com uma observação do pontífice sobre a recente Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madri, que, segundo ele, foi uma verdadeira injeção de renovada esperança

Após o desfecho do seminário, cardeal Schönborn concedeu uma entrevista à Gaudium Press na qual falou, entre outras coisas sobre a importância do tema do encontro deste ano: a Nova Evangelização. “Hoje o mundo necessita de dois aspectos: do anúncio e da comunidade. Jesus nos deu o mandamento de anunciar o Evangelho. Isto vale para todos os tempos, mas no nosso tempo, muitos cristãos de tradição deixaram a fé porque não é transmitida, então se deve anunciar de novo”, declarou.

Contudo, segundo o purpurado, não se pode anunciá-lo “como era talvez possível antes, quando todo o povo era cristão pelo menos exteriormente. Hoje, há necessidade principalmente de um encontro pessoal com Jesus, como diz sempre o Papa, de fazer conhecer Jesus, fazer conhecer aquele Amigo que nos procura e nos espera. Somente através daquele encontro pessoal pode-se encontrar a fé. Depois há a necessidade da comunidade, porque não se pode ser somente cristão”, concluiu.

 

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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