A Mulher gloriosa e dolorosa – EB

Revista : “PERGUNTE E
RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb

Nº 336 – Ano : 1990 – p.
193

 

Quem lê o capítulo 12 do
Apocalipse, depara-se com uma história misteriosa, aparece logo de início uma
Mulher revestida de luz e esplendor, mas dolorida, porque está para dar à
luz.  O seu Filho, ao nascer, é
espreitado por um Dragão monstruoso, que o quer abocanhar, mas não o consegue,
em consequência, o Filho é arrebatado aos céus. 
Esta vitória do Filho suscita a luta entre os anjos bons e o Dragão,
luta na qual é destronado o monstro e arremessado sobre a terra.  Ele passa a perseguir a Mulher, que no
deserto é abrigada e defendida por Deus. 
Não a podendo vencer, o Dragão se lança contra os outros filhos da
Mulher.

Este enredo simboliza toda a
história da salvação, tendo como protagonista a Mulher. – Quem seria essa
figura feminina ? – Não a podemos identificar com alguma mulher individual, nem
mesmo com Maria SS. apenas, pois ela é Mãe de um Filho e de muitos filhos. Por isto
dizemos que o Espírito Santo quis apresentar-nos a MULHER MÃE como
representante de todos aqueles que lutam contra o Dragão.

Com efeito, a Mulher, Mãe da
Vida, tem sua primeira realização em Eva, cujo nome profético quer dizer
precisamente Mãe dos viventes (cf. Gn. 3,20). 
O papel de Mãe dos viventes de prolonga na Filha de Sion (cf. Sf. 3,14)
ou no povo do Antigo Testamento, que estava prenha do Messias.  Essa Filha de Sion se concretiza, por
excelência, em Maria SS.,
a nova Eva, aquela que é diretamente a Mãe do Messias Jesus, gloriosa pelos
privilégios que recebeu, mas também dolorida porque participante da Paixão de
seu Filho até o extremo instante.  A Missão
da Segunda Eva não termina quando Maria é arrebatada aos céus, mas estende-se
na Santa Mãe Igreja, que gera os homens para a vida eterna mediante os
sacramentos.  Perseguida pelo demônio,
que Cristo venceu e desapossou (cf. Jo 12,31), a Igreja é protegida pelo Senhor
Deus durante 1260 dias (3,5 anos, metade de 7 e, por isto, símbolo da sofreguidão
da Igreja peregrina); a Igreja como tal jamais perecerá (cf. Mt 16,18); os seus
filhos, porém, estão sujeitos à sanha do Maligno, ao qual Deus permite tentar
os homens para acrisolar-lhes as virtudes (cf. 1Cor. 10, 13); contudo nenhum
deles parece, desde que queira ser fiel à Mulher e a seu Filho Primogênito (cf.
Rm 8, 29).

Vemos assim que a MULHER de
Ap 12 é figura grandiosa, que perpasse todos os tempos da história: tem seu
primeiro esboço na Mulher-Eva do paraíso, atinge a sua plenitude em Maria SS., a nova Eva
(que a piedade católica cultua carinhosamente no mês de maio), e se prolonga na
Santa Mãe Igreja, viandante na terra e consumada na pátria celeste!  A MULHER, por sua índole própria de tabernáculo
de vida, à qual ela se dá totalmente, vem a ser o símbolo da humanidade prenhe
da presença de Deus, que tende à sua consumação.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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