A Imaculada Conceição na História

Côn. José
Geraldo Vidigal de Carvalho*

Na própria
história universal deparamos prova do dogma que tanto exalta a Madona querida,
pois sem este fulgurante privilégio não encontraríamos explicação para sua
influência tão intensa no íntimo dos corações e nas manifestações mais
grandiosas da inteligência humana séculos afora . Sim! Beleza Imaculada, beleza
imortal, beleza eternal, saudada por todas as gentes, ela é mais do que  tudo isto: 
é a  beleza personificada, beleza
ideal, beleza vivente, cheia de graça. Maria Imaculada através das gerações tem
ministrado a verdade para a razão, o amor para o sentimento, a pureza para a
consciência, a consciência para a moral e a moral para a vida e ungindo a alma
de miríficas essências, enleva e arrebata em sua celestial perfeição.
Diante de
seu vulto incomparável todo mistério é luz, todo pensamento relevo, toda imagem
cor, toda virtude dever, toda paixão combate, todo combate mérito, todo mérito
vitória, toda vitória recompensa, toda recompensa justiça e toda justiça
beatitude. Para ela se convergem os espíritos em uma só idéia, nela se afincam
os corações em um só afeto, por ela se aliançam todos os crentes em um só voto,
em um só culto. E este levantar de mãos, este dobrar de joelhos, este curvar de
frontes, este expandir de vidas, tão harmonioso, tão ajustado como a alma e o
corpo; este ressoar das mesmas vozes e dos mesmos conceitos; este tempestear
das mesmas preces e relampaguear das mesmas vistas que a sentem, a procuram
como o magnete o pólo; o rio o mar; o satélite o planeta e o planeta o sol,
tudo isto, todo este quadro que nenhum 
pincel pode colorir, toda esta festa que nenhuma partitura pode cantar,
tudo isto é o refinamento do êxtase, o requinte do sublime, o ante gosto da bem-aventurança
eterna é a glória insuperável da Imaculada que arrasta corações, que impera
soberana sobre todas as grandezas humanas, que impregna  as artes e o que de mais sublime produz  o saber e a ciência, inspirando o que de mais
excelso, luminoso, grandioso e nobre já surgiu na terra.
Em vão Homero na Odisséia
e na Ilíada, numa tentativa de louvar a beleza, decantou as mais belas filhas
da Grécia antiga; debalde Eurípedes, em 92 peças, exaltou as mais
extraordinárias qualidades da gente helênica e os hindus através de seus
maiores artistas louvaram suas princesas e os egípcios assombraram o universo
com suas fabulosas soberanas, chamassem elas Cleópatra ou Nitocris e os árabes
cantaram  as glórias da famosa rainha de
Sabá e os assírios louvaram Semíramis e o fulgor de sua inteligência e a
bondade de seu coração e a atração de sua graça, pois uma Rainha apareceria no
mundo que a tudo isto ofuscaria, que tudo isto eclipsaria e não seria de nenhum
povo, porque de todos, de nenhuma raça porque de todas co-redentora, de nenhum
rincão, por que de todos a libertadora. Deus a escolheu e colocou sobre sua
fronte uma coroa de glória Diante dela as mais ilustres heroínas do povo
hebraico, cujos louvores canta a Bíblia se empalidecem. Eram descoradas sombras
da celebridade de Maria Imaculada!
O Livro dos Provérbios  já cantava e a Igreja aplica isto a Maria:
“Muitas filhas ajuntaram riquezas famosas, tu, porém, a todos superaste” (Pv
31,29) .Isto porque cada graça, cada maravilha, cada triunfo, cada vitória até então
era o magnífico ensaio das graças, dos prodígios, dos lauréis, dos sucessos que
deveriam engrandecer a Virgem Imaculada, pois, Soberana do universo, na beleza
de suas virtudes e nos esplendores de sua Conceição sem mancha, seria ela
aclamada pelo mundo todo pelos católicos que sabem tão bem homenageá-la como a
Mãe de Jesus.
* Professor no Seminário de Mariana – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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