A harmonia da ciência com a fé

1110 Ciência e féO professor Padre Michael Heller, 72 anos, polonês, com estudos em filosofia e doutorado em cosmologia, receberá em maio de 2008, em Londres, o prêmio Templeton, outorgado pela fundação homônima de estudos religiosos sediada em Nova York. O valor da premiação é de 820 mil libras esterlinas (cerca de R$ 2,87 milhões). O padre cosmólogo sustenta a possibilidade de comprovar matematicamente a existência de Deus, é o vencedor do mais caro prêmio acadêmico do mundo.

Certa vez perguntaram a Jung, discípulo de Freud, se ele acreditava em Deus; sua resposta foi clara: “eu não creio, eu sei!” Mais do que crer, Jung tinha experimentado, pela ciência, “a evidência de Deus”, e a certeza de que nada se explica sem Ele. Freud era ateu; e, no entanto, o seu brilhante aluno era o oposto.

Não há oposição entre a Fé a Ciência, ao contrário, são irmãs que se amam e se auxiliam mutuamente. Quem pensa que já conflito entre uma e outra, não conhece bem uma das duas.

Ao mesmo tempo que eu cursava o meu doutorado em Ciências Aeroespaciais no ITA, em São José dos Campos, em 1977, cursava teologia á noite. Tudo se completava muito bem.

A Igreja leva a ciência a sério. O Papa João Paulo II, em 24 de outubro de 2004, nomeou dois cientistas, pioneiros da física, para membros da Academia Pontifícia das Ciências, do Vaticano: o professor americano William D. Phillips e o professor de origem indiana Veerabhadran (Ram) Ramanatham. William D. Phillips é professor de Física na Universidade de Maryland e é líder do Grupo de esfriamento com laser da Divisão de Física Atômica do National Institute of Standards and Technology (NIST) de Gaithersburg (Estados Unidos). Em 1997 recebeu o Prêmio Nobel em Física. Mais um Nobel no Vaticano!

Veerabhadran (Ram) Ramanathan, nascido em Chennai (Índia), é professor de ciências da atmosfera na Universidade da Califórnia (San Diego) e diretor do Centro para as Ciências da Atmosfera da Scripps Institution of Oceanography, La Jolla (Estados Unidos).

Isto mostra o quanto a Igreja católica valoriza a ciência.

Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade, afirmava que:

“Foram minhas pesquisas que me levaram a Deus”.

Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica, afirmou: “A obra mais eficaz, segundo a Mecânica Quântica, é a obra de Deus”.

Os Padres da Igreja, da época da patrística, como S. Clemente de Alexandria (145-215), Orígenes (185-253) e muitos outros souberam usar a filosofia aprendida dos gregos para defender a fé cristã. Santo Agostinho (354-430) encontrou no neo-platonismo um caminho capaz de dar à verdade revelada por Deus a fundamentação racional que faltava. São Tomas de Aquino (1225-1274), fez o mesmo a partir da filosofia de Aristóteles, cujas obras não estavam disponíveis no tempo de santo Agostinho. Esses gigantes da fé souberam usar a razão para crescer na fé. Eles sintetizaram tudo dizendo: “Crer para compreender; e compreender para crer”.

Com a mesma alegria que ensino para os alunos as leis de Newton da mecânica, ou a equação diferencial que rege a trajetória dos planetas em torno do sol, ou as equações de Schorödinger da mecânica quântica, ou as equações de Maxwell do electromagnetismo, vejo, como Jung, a “evidência” de Deus em todas essas coisas. cpa_ciencia_e_fe_harmonia

Eu Sei que Deus existe! Toda a beleza que a ciência nos revela seria simplesmente impossível sem o Criador.

Recuso-me, com todas as fibras do meu corpo e com todas as faculdades da minha alma, a acreditar que tudo o que há no universo possa ser obra do acaso cego. A ciência e a fé o rejeitam. Será que “acaso”, não é o pseudônimo que dão a Deus aqueles que, por conveniência, não querem pronunciar o seu nome?…

Um dia um famoso filósofo percebendo a evidência de Deus, teve que confessar a um dos seus discípulos: “Deus existe… mas não espalhe!” Todos sabem que Deus existe; é muito mais difícil provar que Ele não existe, do que o contrário. Mas, muitos, embora creiam, não se esforçam para viver de maneira coerente com esta verdade: Deus existe! Se Ele existe, tudo é diferente, e a vida tem que ser dirigia por Ele. “Se Deus não existe, então, tudo é válido”, disse Dostoiewiski.

A ciência e a fé se juntam para nos dizer que somos um milagre do amor e da sabedoria de Deus; somos a meta fixada para toda a evolução do cosmos, desde o Big Bang; somos o ápice de toda a obra visível do Criador que se revelou em Jesus Cristo. Não compreendemos ainda toda a nossa grandeza!

As descobertas mais fantásticas da ciência, seja no macro ou no micro-cosmos, estão em sintonia com a fé corretamente vivida. Acatando as descobertas da ciência modernas (astronomia, paleontologia, paleografia, papirologia, física, química, filologia, biologia, história, linguística, arqueologia, etc.), a Igreja entendeu que certas interpretações que se davam no passado a certas passagens bíblicas eram insustentáveis diante da verdade científica. E não teve dificuldade de adaptar a sua interpretação a essas verdades, sem necessitar alterar a perenidade dos dogmas.

A ciência está sempre diante de novos desafios, e sabe que é incapaz de responder as perguntas fundamentais do homem: Donde venho? Para onde vou? Qual o sentido do meu trabalho, da minha luta, da minha morte? Qual o sentido do universo, da vida, do homem? Por que isso tudo existe? Parece haver uma Inteligência (= Logos) que estabeleceu uma lógica e as sábias leis da natureza…

Nem mesmo a Filosofia consegue dar uma resposta completa para as interrogações do homem, pois certos mistérios (como o do mal e o do sofrimento) não são explicáveis apenas pela razão.

Prof. Felipe Aquino

Bibliografia:
Deus, a evidência – Dr. Patrick Grynn, Ed. Masdra, SP, 2000
A Linguagem de Deus – Dr. Fracis Collins (coordenador do Projeto Genoma Humano), Editora vida, SP, 2007.
Ciência e Fé em harmonia – Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, Lorena, SP, 2005.

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.