“A escuridão acerca de Deus é a verdadeira ameaça para nossa existência”, disse o Papa na Missa da Vigília de Páscoa

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 09-04-2012, Gaudium Press) A celebração da Vigília Pascal teve início na Basílica vaticana no escuro, no átrio o Papa abençoou o fogo. Entrou com o círio pascal onde os fiéis acenderam suas velas. Na homilia da Vigília Pascal na Noite Santa, o Santo Padre reafirmou o sentido da nova criação iniciada com a ressurreição do Senhor.

“A escuridão acerca de Deus e a escuridão acerca dos valores são a verdadeira ameaça para a nossa existência e para o mundo em geral. Se Deus e os valores, a diferença entre o bem e o mal permanecem na escuridão, então todas as outras iluminações, que nos dão um poder verdadeiramente incrível, deixam de constituir somente progressos, mas passam a ser simultaneamente ameaças que nos põem em perigo nós e o mundo”, afirmou o Santo Padre.

“A Páscoa é a festa da nova criação na qual ela tornou-se maior e mais vasta. A liturgia da Vigília Pascal fala sobre a luz. A luz torna possível a vida; torna possível o encontro; torna possível a comunicação; torna possível o conhecimento, o acesso à realidade, à verdade. E, tornando possível o conhecimento, possibilita a liberdade e o progresso. O mal se esconde”, destacou o pontífice

Por isso, “o fato”, continuou o Papa, “de Deus ter criado a luz significa que Ele criou o mundo como espaço de conhecimento e de verdade, espaço de encontro e de liberdade, espaço do bem e do amor. A matéria-prima do mundo é boa; o próprio ser é bom. E o mal não vem do ser que é criado por Deus, mas existe só em virtude da sua negação. É o ‘não’ “.

Bento XVI, ao continuar o tema da luz, disse que “a escuridão acerca de Deus e a escuridão acerca dos valores são a verdadeira ameaça para a nossa existência e para o mundo em geral”.

“Nas coisas materiais”, observou o Papa, “sabemos e podemos incrivelmente tanto, mas naquilo que está para além disto, como Deus e o bem, já não o conseguimos individuar. Para isto serve a fé, que nos mostra a luz de Deus, a verdadeira iluminação: aquela é uma irrupção da luz de Deus no nosso mundo, uma abertura dos nossos olhos à verdadeira luz”.

O pontífice concluiu a homilia com o pensamento sobre o círio pascal, que é símbolo do Cristo Ressuscitado e modelo para os cristãos de uma dedicação total. “Trata-se de uma luz que vive em virtude do sacrifício: a vela ilumina, consumindo-se a si mesma; dá luz, dando-se a si mesma. Este é um modo maravilhoso de representar o mistério pascal de Cristo, que Se dá a Si mesmo e assim dá a grande luz. É também símbolo do fogo uma luz na qual vêm ao nosso encontro o calor e a bondade de Deus. Exprime também a cooperação dos crentes. Assim podemos ver, no círio, também um apelo dirigido a nós mesmos e à nossa comunhão com a comunidade da Igreja, que existe para que a luz de Cristo possa iluminar o mundo”, declarou.

Durante a Missa, o Santo Padre ministrou os sacramentos da iniciação cristã a 8 catecúmenos de vários países: Albânia, República dos Camarões, Alemanha, Itália, Eslováquia e Estados Unidos.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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