Para Deus nada é impossível – EB

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 322 – Ano 1989 – p. 97

Em meio às dificuldades da vida presente, precisamos de ouvir repetidamente as palavras do anjo Gabriel e Maria por ocasião ao anúncio da Encarnação do Verbo: “A Deus nada é impossível!” (Lc 1,37).

A Escritura compraz-se em incutir tal verdade. É o próprio Senhor quem diz através do Profeta Jeremias: “Eis que sou o Senhor, o Deus de toda carne; haverá para mim algo de impossível?” (Jr 32, 27). Especialmente quando refere a história de Abraão, o texto sagrado lembra o absoluto poder de Deus. Assim, por exemplo, ao prometer um filho a  Abraão e Sara, anciãos estéreis, o Senhor enfrentou o riso cético de Sara e replicou: “Acaso existe algum portento superior ao poder de Javé?… No próximo ano Sara terá um filho” (Gn 18, 9-14). Esse filho, Deus, querendo provar Abraão, pediu-lhe que o entregasse à morte; o Patriarca, já doutrinado pelos feitos anteriores, dispôs-se a imolar Isaac…, “pensando consigo mesmo: Deus é capaz de ressuscitar os mortos. Por isto recuperou seu filho como símbolo” da vitória que Deus daria aos homens sobre a própria morte (cf. Hb 11, 19). São Paulo aos Romanos escreve ainda:
“Abraão acreditou em Deus, que faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4, 17).

O episódio de Isaac, salvo da morte que o ameaçava, não foi senão o prenúncio da plena vitória, de Cristo sobre a morte, obtida na manhã de Páscoa. A morte é o adversário inexorável que os homens por si não têm, nem terão, possibilidade de debelar. O Senhor, porém, a venceu e promete a todos os fiéis o triunfo sobre a mesma.

“A Deus nada é impossível!” Esta mensagem significa que as aspirações fundamentais do coração humano, por mais ousadas que pareçam, terão seu cumprimento: ao homem serão dadas a Vida, a Verdade, o Amor, a Felicidade plenas. “Aquele que não poupou o próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos terá dado tudo com Ele?” (Rm 8,32).

A mesma mensagem desperta também em todos os cristãos a confiança de pedir ao Senhor queria resolver os casos “impossíveis” e as situações desesperadas, que frequentemente os acometem neste mundo. Ele tem o poder de fazer do Não endurecido um Sim alegre, da morte a vida, da doença a saúde, do desânimo o soerguimento, do emaranhado confuso uma conjuntura simples e clara. “Até agora nada pedistes em meu nome. Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16, 24).

Em poucas palavras, é isto que a celebração de Páscoa nos transmite neste mês de março de 1989.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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