A Cruz de Caravaca – EB

Em síntese: A devoção à Cruz de Caravaca, segundo dizem, teve origem na Espanha: a cruz do Patriarca de Jerusalém terá sido levada pelos anjos a um altar de Caravaca onde se celebrava a S. Missa. Atualmente tal devoção tem caráter sincretista e é propagada pelas
religiões afro-brasileiras.

A Redação de PR recebeu, com pedido de explicação, dois livros relativos à Cruz de Caravaca. Passamos, pois, a abordar o tema tal como é apresentado nos dois devocionários: “O Livro da Verdadeira Cruz de Caravaca” e “Cruz de Caravaca-Capa Preta”.

Origem da Devoção

Como dizem. Caravaca é antiquíssima cidade da Espanha, hoje decadente. No tempo em que dominavam os árabes (sem indicação precisa da data) terá ocorrido  um milagre na respectiva igreja; com efeito, faltava a cruz do altar onde se celebraria a S. Missa; os anjos então terão levado para Caravaca a cruz peitoral do Patriarca de Jerusalém. A cruz assim milagrosamente aduzida se tornou objeto da veneração dos fiéis.

Os atuais devocionários da Cruz apresentam Ladainhas de Nossa Senhora, São José, Sagrado Coração de Jesus… orações a Santo Expedito, São Jorge, a Santo Onofre, Santo Elesbão, Santa Efigênia… algumas com aprovação eclesiástica (sem indicação de quem aprova).

As religiões afro-brasileiras  apropriaram a si a devoção à Cruz de Caravaca, dando-lhe caráter sincretista e supersticioso, como se depreende de quanto segue.

Sincretismo

Logo à p. 14 de “Cruz de Caravaca – Capa Preta” lê-se:

RECOMENDAÇÃO

As orações da Cruz de Caravaca exigem fé e por isso têm de ser recitadas em condições particulares, como sejam recolhimento, atenção  nas palavras e esperança no efeito milagroso da oração. Convém, pois que o fiel prefira rezar sozinho, ou quando estiver acompanhado, que as outras pessoas participem da mesma fé e respeito.

As orações da Cruz de Caravaca podem ser rezadas em casa ou em uma Igreja. Quando for em casa, acendam-se velas diante da Cruz, segundo as  indicações contidas neste livro. Todas as vezes que se tiver de pronunciar o nome de Jesus Cristo, o fiel fará o Sinal da  Cruz, procedendo o mesmo em todas as demais orações, dirigidas aos Santos ou a Nossa Senhora.

Não convém que as orações  sejam feitas logo antes ou depois das refeições, pois em um outro caso não pode haver tranquilidade perfeita da mente, sendo que depois  do almoço ou do jantar o esforço mental poderá acarretar dano à saúde, com exceção da duas pequenas  orações especiais, para antes ou depois de cada refeição, orações essas inspiradas especialmente para essa ocasião.

Recomendamos aos fiéis uma Novena da Cruz de Caravaca, isto é, rezar a “Grande Oração”, nove dias seguidos, do seguinte modo: começar com a “Grande Oração”, e depois recitar a  “Saudação” terminando com 1 Pai Nosso e 1 Ave Maria.

O sincretismo se revela mais explicitamente na Oração da Cabra Preta (Milagrosa)

Cabra Preta milagrosa que pelo monte subiu, trazei- me Fulano, que da minha mão sumiu. Fulano, assim como o galo canta, o burro rincha, o sino toca e  a c  abra berra. Assim tu hás de andar atrás de mim. Assim como Caifaz, Satanás, Ferrabraz e o Maioral do Inferno que fazem todos  se dominar, fazei Fulano se dominar, para me trazer cordeiro preso debaixo do meu pé esquerdo. Fulano, dinheiro  na tua e na minha mão não há de faltar, com sêde tu e eu haveremos de acabar, de tiro e faca nem tu nem eu não há de nos pegar, meus inimigos não hão de me enxergar. A luta vencerei com os poderes da Cabra Preta milagrosa. Fulano, com dois eu te vejo, com três eu te prendo Com Caifaz, Satanás, Ferrabraz.

Reza-se  esta oração com uma  vela acesa e uma faca de ponta. (Livro da Verdadeira Cruz de Caravaca, p. 12)

Este mesmo livro se encerra com a Oração das Sete  Linhas (2)

Oração Chave Sete

“Oxalá, vós que refletis o princípio criador, vós que sois o Verbo solar, a ciência do Verbo sublime, vós que fazeis a supervisão de todos os Orixás na terra, vós que sois a luz do Senhor Deus, abençoai-nos.

Iemanjá, vós que refletis em vossa cristalinas águas toda a  verdade do mundo e o poderio do teu reino. Rogai por nós.

Onibeijada, vós que refletis o princípio de ação da humanidade e do mundo da forma, vos que sois potência divina, rogai por nós.

Xangô, vós que dirigis a Lei das Causas e Efeitos, vós que sois o Senhor das Almas. Intercedei por nós.

Ogum, vós que sois  o Senhor das batalhas, vós que sois o mediador que controla”.

Como se vê, não há como conciliar a fé cristã e devoção à Cruz de Caravaca.

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(2) Esta é a última oração de firmeza, para nada mais voltar a acontecer.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 487 – Ano 2003 – p. 45

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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