A Criação de Deus e o bóson de Higgs

Falou-se muito nesta semana na partícula subatômica (bóson de Higgs) descoberta pelos físicos no grande acelerador de partículas de 27 km de comprimento em Genebra, na Suíça. Seu nome é LHC – “Large Hadrons Colisions”; e  foi concebido para explorar o Universo além de confirmar o chamado “Modelo Padrão da Física”. Para isso foram gastos 10 bilhões de dólares. Os físicos disseram que a descoberta desse campo de partículas se trata da maior descoberta da física de partículas dos últimos 30 anos.

Mas, qual é a sua importância e o que ela tem a ver com a Criação de Deus, para ser chamada de “Partícula de Deus”. O que a Igreja pensa disso?
Para entender a sua importância é preciso saber que o modelo mais usado hoje pela “física das partículas é o chamado “Modelo Padrão da Física”, proposto por Einstein, que classifica as partículas fundamentais e suas interações. Todas as partículas e interações do Modelo Padrão já foram detectadas, faltava a partícula chamada bóson de Higgs. Esta partícula é a responsável para dar as massas às outras partículas fundamentais, das quais pode, então, surgir o universo: estrelas, galáxias, etc.

No início do século XX os astrônomos começaram a mapear o Universo, e descobriram que as galáxias estavam se afastando da Terra com velocidades cada vez maiores, de modo que quanto mais longe estivessem, tanto maior sua velocidade de fuga. Era como se os grupos de galáxias fossem partes de uma explosão acontecida a bilhões de anos. Daí nasceu a teoria do “Big-Bang” (grande explosão), segundo a qual o Universo começou a partir dos fragmentos desta gigantesca explosão. Hoje fala-se mais em expansão do que em explosão.

Em 1927 o Padre jesuíta belga, cosmólogo famoso, George Lamaitre confirmou a expansão do Universo, dando uma solução dinâmica para as equações de Albert Einstein, baseando-se em dados sobre o desvio para o vermelho da luz de galáxias distantes. Essa descoberta foi confirmada dois anos depois pelo físico norte americano Edwin Hubble, que chegou também a conclusão que a expansão do universo está se acelerando.

O que foi o Big Bang? Uma matéria ultra comprimida teria explodido (ou se expandido) numa nuvem de energia e partículas elementares, aquecidas a uma temperatura inimaginável. Dentro desta esfera havia apenas fótons e nêutrons comprimidos de modo tal que um litro dessa matéria pesaria bilhões de toneladas e temperatura de 1015 (= 1 seguido de 15 zeros) graus. Essa esfera teria jogado no vazio a matéria com a velocidade da luz.

O padre George Lamaitre foi um dos gênios de uma geração que inclui outros grande físicos como Maxwell, Einstein, Heisenberg, Planck, Bohr, Schrodinger e Godel. Partindo de sua descoberta da expansão do Universo, Pe. Lamaitre inverteu o movimento e idealizou sua “hipótese do átomo primordial”, mais tarde chamada de “Teoria do Big Bang” por Fred Hoyle, um físico defensor do universo estacionário. Para comprovar tudo isso, e os físicos poderem acreditar e conhecer a proposta do Pe. Lamaitre (Big Bang), era preciso descobrir o bóson de Higgs, agora descoberto. Este bóson é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não tinham conseguido nenhuma prova de que ela existia, até a sua atual descoberta. Assim fica confirmada a teoria científica mais bem-sucedida de todos os tempos – o chamado Modelo Padrão da Física, que explica como se comportam todos os componentes e todas as forças existentes na natureza, salvo a gravidade.

A partícula descoberta chama-se bóson de Higgs porque foi o físico Peter Higgs o criador da teoria que descreve suas propriedades. Mas o outro apelido do bóson ficou sendo a “partícula de Deus”.

Na física, bósons são uma das duas classes fundamentais de partículas subatômicas – a outra são os férmions. O termo tem origem no sobrenome de um físico indiano, Satyendra Nath Bose, contemporâneo de Albert Einstein. Entre os bósons estão o fóton (partícula de luz) e o glúon (do inglês “glue”, ou cola, já que ele “cola” o núcleo dos átomos). Os bósons são partículas que descrevem a força de interação entre outras partículas que formam a matéria, como os elétrons e os neutrinos. Um deles, o único ainda não observado em experimento, era o bóson de Higgs.
Esta descoberta não esgotou a pesquisa, e alguns físicos acham que foi descoberto o primeiro membro de uma “família” de mais de um bóson de Higgs. Agora, os físicos vão determinar as características do novo bóson.

O impressionante neste “ato criador de Deus”, ao dar início ao universo, é que de acordo com a teoria, o campo de partículas de Higgs foi formado um trilionésimo de segundo (1 segundo dividido em um trilhão de partes) depois que o Big Bang iniciou a criação do universo. Antes desse momento, nenhuma partícula tinha massa e elas vagavam caoticamente na velocidade da luz. O campo de Higgs deu a elas massa.
Neste momento crucial as partículas se reuniram e formaram os átomos e moléculas que existem atualmente. E tudo foi dirigido por uma Mão Invisível ate´que surgisse o homem e a mulher. Qualquer mudança mínima nesse plano impediria a nossa existência. Somente Deus poderia conduzir tudo isso. Com a descoberta do bóson de Higgs podemos conhecer um pouco melhor como Deus criou o universo. O Dr. Francis Collins, médico, químico e biólogo americano, Diretor do maior projeto de biotecnologia do mundo, o Projeto Genoma, disse: “Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas”.  (Revista VEJA 24,01.2007) A opção mais irracional é o ateísmo”. O acaso não poderia criar tudo isso. Como disse o Dr. Adolf Butenandt, Prêmio Nobel em Química, em 1938: “Com o átomos de um bilhão de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para a vida”. (A Criação não é um mito, Domenico E. Ravalico, Ed.Paulinas, SP, 1979).

Tudo isso interessa muito a nós cristãos porque revela como Deus criou o universo. Só um poder Infinito poderia gerar tudo isso. É significativo que a descoberta e comprovação do Big Bang tenha sido feita por um Padre; isso mostra o interesse da Igreja que sempre incentivou a ciência em harmonia com a fé.

Quando em 2009 houve um defeito no grande LHC, o acelerador de partículas, o laboratório astronômico do Vaticano, o “La Specola”, auxiliou o “Centro Europeu de Pesquisa Nuclear” (CERN) consertá-lo. O cardeal Giovanni Lajolo, presidente da “Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano”,  disse na época que “o conhecimento sobre a origem do universo não pode deixar de interessar também a quem lida com as relações entre a fé e a razão”.

Professor Felipe Aquino

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/06/04/e040613416.asp

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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