A coragem de um sacerdote pelo evangelho

A re-evangelização nasce da oração: uma reflexão do padre Gheddo

ROMA, segunda-feira, 9 de janeiro, 2012 (ZENIT.org) – A todos os amigos leitores desejo um Feliz Ano Novo no Senhor Jesus. E começo com uma “boa notícia”. Nos dias do Natal fui a Turim visitar meu irmão Mario e falando com os familiares dizia que em 2012 será realizado em Roma, em Outubro, o Sínodo Geral sobre a “Nova Evangelização” dos povos cristãos, portanto também da nossa Itália.

E perguntava, para ouvir as opiniões dos leigos fiéis e praticantes, “O que vocês pensam que deve ser feito para ajudar a restaurar a fé e a prática da vida cristã no povo italiano?” A primeira resposta da sua sobrinha, Clara, supreendeu um pouco a todos, incluindo a mim:

“Na minha opinião, precisamos primeiro orar mais, depois todo o resto, mas o objetivo da re-evangelização dos nossos compatriotas é tão superior, não só às nossas forças, mas à nossa própria imaginação, que todos nos sentimos impotentes. Mas Deus sabe como  podemos fazer e como podemos alcançar este ideal, pelo qual precisamos rezar muito”.

E Clara citava o exemplo da paróquia de Turim, Santo Nome de Maria Santíssima, na qual ela mesma morou no ano 2000. Naquele ano do Jubileu o pároco, padre Benito Rugolin, teve a coragem e lançou a idéia da adoração contínua para todos os dias e noites do ano jubilar. A iniciativa despertou descrença e respostas negativas, dentro da paróquia e da cidade. Ninguém pensava que fosse possível experiência semelhante. Mas, realmente se revelou um sucesso”.

Veja como o site da paróquia lembra: “As pessoas precisam de sinais”: dessa reflexão do padre Benito nasceu uma iniciativa extraordinária, que perdurou durante todo o Jubileu. A proposta dirigida à toda a comunidade foi a de dedicar todo o Ano Santo à adoração eucarística contínua e de doar o equivalente a quatro horas de trabalho para a construção de uma escola na Bengala Ocidental.

Aberta pelo arcebispo de Turim, Severino Poletto no dia 26 de dezembro de 1999, a adoração contínua foi acolhida com entusiasmo: todos os dias, 24 horas de 24, sem interrupção, se rezou e se meditou diante do Santíssimo Sacramento, por um total de 8880 horas e aproximadamente 30-40 mil fiéis passaram pela capela.

A adoração, organizada por turnos (pelo menos uma pessoa presente a cada duas horas) nunca sofreu reveses, mesmo no mais profundo da noite ou de dias “críticos” como as férias de agosto. Com o trabalho boca a boca vieram muitos fiéis também de outras paróquias, também prontos para comprometer-se alegremente e de forma constante. Os maiores meios de informação, seculares e católicos,  se ligaram à adoração com tons respeitosos e também de admiração por uma participação tão grande e assídua.

O arcebispo tinha pedido para orar especialmente pelas vocações e… Deus respondeu generosamente! De fato, dois jovens fizeram os votos, dois adultos entraram no seminário e uma jovem amadureceu a idéia de tornar-se freira.

No que respeita à segunda parte da iniciativa, ou seja, a solidariedade pela índia, foram organizadas noites que permitiram familiarizar-se com a cultura, a arte e até mesmo a culinária indianas. Recolheram-se 25 milhões que o padre Anselmo Morra, indo lá no local, se responsabilizou de entregar pessoalmente aos responsáveis ??pela construção da escola. Estes últimos responderam enviando fotos da escola em construção, cartas e pequenos presentes.

A maravilhosa experiência de adoração terminou no dia 06 de janeiro de 2001 com uma missa solene do Arcebispo, que voltou especificamente para concluir esta iniciativa descrita por ele mesmo como “única”. O fim da adoração criou decepção entre os paroquianos, que insistiram ao padre Benito para prolongá-la. Agora é possível participar da adoração nas quintas-feiras à noite, a partir da missa das 18h30, até sexta à noite às 23h30, quando se canta a Completa, faz-se uma procissão solene até o exterior da igreja e se reza por todas as intenções dos fiéis”.

Não há nada a acrescentar, mas me lembro que no ano 2000, ano em que o PIME realizava 150 anos, o superior geral Padre Franco Cagnasso propôs a todas as casas e às missões do PIME um ano especial de oração para o Instituto e as vocações missionárias. Bem, tomaram-se diversas iniciativas comunitárias e justo naquele ano registramos na Itália um bom aumento de jovens que vieram até nós para estudar e se tornarem missionários e quatro ou cinco sacerdotes de várias dioceses aderiram-se ao Instituto para irem de missão e hoje três deles são membros do PIME.

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Por Piero Gheddo
Tradução TS

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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