“A contemplação da Arte Sacra nos aproxima de Deus”, recorda o Papa na audiência geral

Castel Gandolfo (Quarta-feira, 31-08-2011, Gaudium Press) Dando continuidade ao ciclo de verão das catequeses sobre a oração, o Papa Bento XVI realizou na manha desta quarta-feira, 31, em Castel Gandolfo, mais uma audiência geral. As 3 mil pessoas que estavam presentes na praça da cidade assistiram a uma catequese sobre o poder da Arte Sacra como fator de aproximação com Deus. “A meditação, o silêncio, mas também arte sacra nos aproxima de Deus”, ressaltou o pontífice.

“Muitas vezes chamei a atenção neste período, sobre a necessidade de todo cristão de encontrar tempo para Deus, para a oração, em meio a tantas ocupações dos nossos dias. O próprio Senhor nos oferece muitas ocasiões para que nos recordemos d’Ele”, dessa forma iniciou o Papa a catequese na qual reafirmou a importância da arte sacra no diálogo com Deus porque é Ele a “via das expressões artísticas”, e também “via da beleza, da qual falei tantas vezes e que o homem hoje deveria recuperar no seu significado mais profundo”, destacou.

Neste sentido, Bento XVI dissertou sobre as emoções que a arte suscita em nossos sentidos e que podem ser início de uma contemplação de Deus. “Talvez tenha vos acontecido algumas vezes diante de uma escultura, de um quadro, de alguns versos de uma poesia ou diante de uma música, de experimentar no íntimo uma íntima emoção, um senso de alegria”. Para o pontífice, a arte sacra, é “o fruto da capacidade criativa do ser humano” e também, “é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além daquilo que vê”, manifestando a sede e a busca do infinito. É “como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e uma verdade que vão além do cotidiano”, sublinhou.

O Papa deu também seu exemplo pessoal sobre as emoções despertadas por oumaba obra de arte, recordando um concerto de músicas de Johann Sebastian Bach, em Munique, regido por Leonard Bernstein. “Ao fim da última peça, uma das Cantatas, senti, não por raciocínio, mas no profundo do coração, que aquilo que tinha escutado me havia transmitido alguma coisa da fé do sumo compositor e que me estimulava a louvar e agradecer ao Senhor”, disse.

Na conclusão de sua catequese, Bento XVI observou que as cidades e os países no mundo todo guardam tesouros de arte que expressam a fé e nos chamam a atenção para a relação com Deus. “Que a visita aos lugares de arte, não seja então somente ocasião de enriquecimento cultural, mas possa principalmente tornar-se um momento de graça, de estímulo para reforçar o nosso laço e nosso diálogo com o Senhor, para que paremos para contemplar – na passagem da simples realidade exterior à realidade mais profunda – o raio de beleza que nos atinge, que quase nos ‘fere’ no íntimo e nos convida a subir em direção a Deus”, afirmou.

Nas saudações em várias línguas, o Santo Padre também convidou os fiéis a dialogarem com Deus através da arte. Em português convidou dizendo: “Procurai descobrir na arte religiosa um estímulo para reforçar a vossa união e o vosso diálogo com o Senhor, através da contemplação da beleza que nos convida a elevar o nosso íntimo para Deus”. E em espanhol acrescentou, desejando que a arte “não sirva apenas para incrementar a cultura, mas também para promover o diálogo com o Criador de todo o bem”.

Pela segunda vez nesse verão o Papa fez sua homilia da porta central do Palácio pontifício de Castel Gandolfo, enquanto as pessoas estavam na praça da cidade.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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