A Batalha pela Normalidade Sexual – EB

Em síntese: O autor é PhD. Em Psicologia pela Universidade de Amsterdam (Holanda) e escreve na base de mais de trinta anos de terapia com homossexuais.  Julga que a homossexualidade não é normal, não podendo ser tida como “o terceiro sexo”.  Não se deve a genes nem a fatores hereditários, mas tem geralmente sua origem em falhas da educação ministrada a um menino ou a uma menina, que cria em si o complexo de inferioridade em relação aos indivíduos do mesmo sexo; daí querer o menino comportar-se como menina e vice-versa.  O autor da obra procura propor pistas que contribuam para a recuperação da pessoa homossexual ou lésbica: dirija-se a um bom terapeuta; tome consciência de que há um tanto de infantilidade em suas tendências homossexuais; aplique a vontade para combater o ego infantil; seja perseverante na luta; se religioso(a), recorra à oração e à ascese, pois se pode crer que é da vontade de Deus a normalização sexual do indivíduo afetado.

Gerard van den Aardweg é Ph.D. em Psicologia pela Universidade de Amsterdam.  Exerceu a psicoterapia desde 1963 na Holanda por mais de trinta anos, especializando-se no tratamento da homossexualidade.  Entre as suas diversas obras, está o livro “A Batalha pela Normalidade Sexual”, que pretende levar ajuda às pessoas que sofrem problemas de sexualidade.  A obra tem valor científico, bem documentada como é, e divide-se em duas partes: 1) O conceito de homossexualismo; 2) Recursos terapêuticos.

Nas páginas subsequentes serão expostas as principais linhas doutrinárias da obra.

Homossexualismo: conceito
O autor é categórico ao afirmar que o homossexualismo não é algo de normal.  A anormalidade caracteriza-se por traços típicos:

Linhas características
Eis as três linhas características apontadas por van den Aardweg:
a) O homossexual sofre de um complexo de inferioridade sexual; fica sendo uma criança ou um adolescente – atitude esta que os psicólogos classificam como infantilismo psíquico:

“A personalidade do homossexual é, em parte, a de uma criança (ou de um adolescente).  Esse fenômeno é conhecido como “a criança que se queixa no íntimo”.  Alguns homossexuais permaneceram emotivamente adolescentes em quase todas as áreas do comportamento; na maior parte, a “criança” alterna com o adulto dentro deles, dependendo do lugar e das circunstâncias.

As  maneiras de pensar, de sentir e de comportar-se típicas de um adolescente que se sente inferior são observáveis no adulto homossexual.  Ele permanece – em parte – o pobre solitário indefeso que fora na puberdade: o menino tímido, nervoso, apegado, abandonado, socialmente difícil, que se sente rejeitado por seu pai e companheiros por causa de sua feiúra (vesgo, de lábios leporinos, ou pequenos, por exemplo, vê-se como o oposto da beleza masculina); o menino mimado que se autoadmira; o menino efemina, arrogante, vaidoso; ou o menino intrometido, exigente e ainda poltrão; e assim por diante.  Fica preservada toda a personalidade do menino, ou menina, no tempo de sua infância.  Isso explica as características de comportamento como a tagarelice infantil de alguns homossexuais masculinos, seus hábitos de fraqueza, a ingenuidade, o modo narcisista de cuidar do corpo, o modo de falar etc.  A lésbica pode permanecer a menina magoada, rebelde, levada, a menina mandona orientada pelos hábitos imitados de auto-afirmação masculina, ou a menina eternamente injustiçada, mal-humorada, cuja mãe não tem “o mínimo interesse por ela”, etc.  O adolescente explica o adulto.  E tudo aí está ainda: modo de se ver, de ver os pais e os outros”  (pp. 64s).

b) Autodramatização e autocompaixão: “Como observamos acima, um modo comum de se ver é o do “pobre em mim” injustiçado, rejeitado.  Por isso, os homossexuais facilmente se sentem insultados, vivem á “cata de injustiças”, como o psiquiatra Bergler tão bem colocou, e estão sujeitos a verem-se como vítimas.  Isso explica a manifesta autodramatização dos militantes, que exploram habilmente sua neurose para obter o apoio público.  Apegados à sua autocompaixão, são internamente (ou manifestantes) queixosos, ou queixosos crônicos muitas vezes.  A autocompaixão e o protesto não estão distantes entre si.  Certa rebeldia e hostilidade íntimas (ou manifestas) com os outros que os tratam injustamente e com a “sociedade” e um determinado cinismo são típicos de muitos homossexuais.

Esse fato está diretamente ligado à dificuldade que tem o homossexual de amar.  Seu complexo dirige sua atenção a si mesmo; procura atenção e amor, reconhecimento e admiração para si mesmo, como uma criança. O centrar-se no eu impede sua capacidade  de amar, de interessar-se realmente pelos outros, de assumir responsabilidade por outros, de dar e servir (algumas maneiras de servir, de fato, são expedientes para obter atenção e aprovação)…  “A metade do gênero humano – a metade feminina – não existia para mim até há pouco”, disse certa vez um cliente homossexual.  Ele tinha visto as mulheres como figuras da mãe carinhosa, como certos homossexuais casados às vezes vêem, ou como rivais em sua caça da afeição masculina.  Viver ligado a uma mulher de sua idade pode ser uma ameaça a um homossexual masculino, porque se sente como um menino que não está à altura do papel masculino em relação às mulheres adultas … As mulheres lésbicas podem ver os homens também como seus rivais: podem querer um mundo sem homens; os homens fazem-nas sentir-se inseguras e tiram do meio delas suas possíveis amigas como mulheres” (pp. 65-67).

c) Neurose: “O termo “neurótico” descreve bem tais relações.  Sugere o egocentrismo da relação; a procura de atenção em vez do amor; as contínuas tensões, que geralmente nascem da contínua lamentação: “Você não me ama”, o ciúme, que tantas vezes lança a suspeita: “Ele(ela) está mais interessado(a) em outra pessoa”.  Neurótico, em suma, sugere todos os tipos de dramas e conflitos infantis como também o desinteresse básico no parceiro, não obstante as vagas pretensões de “amor”.  Não existe maior autodecepção no homossexual do que na representação que ele faz de si mesmo.  Um parceiro só é interessante para o outro na medida em que satisfaz aquilo de que o outro necessita.  O amor real, desinteressado por um parceiro desejado, de fato acabaria destruindo o “amor” homossexual.  As uniões homossexuais são relações apegadas de dois “pobres coitados” absorvidos essencialmente em si mesmos…  A insatisfação subjacente ao estilo de vida homossexual evidencia-se no elevado índice de suicídios entre homossexuais “assumidos”.  Frequentemente, o lobby dos gays dramatiza os “conflitos de consciência”. A “situação de emergência psíquica” em que os homossexuais seriam lançados por aqueles que declaram que a homossexualidade é imoral ou neurótica.  Podem estar sendo levados ao suicídio” (pp. 62s).

Homossexualismo: causas
Gerard van den Aardweg não é favorável à tese de que o homossexualismo seja devido a fatores biológicos, genéticos e hereditários:

“Se algum fator biológico fosse descoberto como estreitamente relacionado com a homossexualidade, isso não seria argumento em favor da sua normalidade.  Nem seria necessariamente uma causa direta… Entretanto, ainda é um grande “se”.  As evidências todas no campo biológico mostram uma causalidade não fisiológica, não biológica” (pp. 23s).

O autor da obra em foco julga que o homossexualismo tem sua explicação em falhas da educação por parte de pai ou mãe como também no relacionamento com colegas e companheiro(a)s de infância ou adolescência.  Eis o que escreve às pp. 35s:

“Muitos homossexuais, por exemplo, tiveram uma mãe superprotetora, ansiosa, preocupada, ou dominadora, ou que os admirou ou mimou excessivamente.  Seu filho era “o bom menino”, “o menino obediente”, “o menino bem-comportado”, e muitas vezes um menino psicologicamente retardado em seu desenvolvimento, sempre visto como “um bebê” por um período excessivamente longo.  E o futuro homossexual masculino em parte permaneceu esse filhinho da mamãe.  Porém, uma mãe dominadora, que vê em seu filho um “homem de fato” e quer tomá-lo um homem, não há de produzir um “efeminado”.  O mesmo se aplica à relação pai-filha.  É a mãe dominadora (superprotetora, superansiosa etc.) que não soube como fazer um homem de seu menino, que sem querer contribuiu para a sua malformação psicológica.  Muitas vezes, não teve a idéia certa do que significa fazer um homem de um menino, talvez por faltar bons exemplos em sua família.  Ficou ansiosa em fazer dele um modelo de menino bem comportado ou em prendê-lo a si ao ficar sozinha e muito insegura (como a mãe que manteve o filho em sua cama até a idade dos doze anos).

Em suma, o estudo da homossexualidade revela a importância de os pais terem noções e hábitos sadios com relação à masculinidade e à feminilidade.  Na maior parte dos casos, entretanto, é a combinação de atitudes de ambos os pais que prepara o terreno para um desenvolvimento homossexual”.

Como tratar o problema?
Se a homossexualidade é um desvio que não pode ser considerado normal, é lógico que o psicólogo se interesse por ajudar seu paciente a evitar a prática homossexual ou mesmo a livrar-se por completo da tendência anormal.  O Dr. Van den Aardweg julga que em certa porcentagem é possível a plena recuperação do paciente.

Para tanto propõe os seguintes recursos:
Procurar um bom terapeuta

“Ninguém pode seguir este caminho (da recuperação) sozinho… Muitos psicoterapeutas não estão qualificados para ajudar homossexuais a superar seu complexo porque… carregam o preconceito de que nada se possa ou se deva fazer a respeito… O terapeuta deve possuir um boa inteligência e ser eficiente em estabelecer uma relação de simpatia com o necessitado.  Acima de tudo, terá uma personalidade equilibrada e costumes morais sadios”  (p. 91).

Tomada de consciência
Tome consciência de que o homossexualismo é uma deformação da personalidade.  Essa tomada de consciência é indispensável para que o paciente colabore com o seu psicoterapeuta; esteja convencido de que deve procurar modificar seus costumes ou mesmo suas tendências.  O Dr. Van den Aardweg é incisivo a propósito:

“Uma ajuda importante é ver como são infantis esses contatos homoeróticos – na realidade ou na fantasia.  Procure perceber em tais anseios que você não é uma pessoa madura, responsável, mas uma criança que quer mimar-se a si mesma, ter afeição e prazer sensual para si mesma.  Compreenda que isso não é amor real, mas a busca de si, em que o parceiro é mais objeto de prazer do que uma pessoa” (pp. 125s).

“Os pequenos hábitos de mimar-se devem mudar, como o do homossexual masculino que sempre calçava seus chinelos macios quando saía para uma visita, porque pareciam tão confortáveis para seus pés (talvez seja um pouco desrespeitoso, mas este é um exemplo típico de alguém que parece uma velha ou um efeminado).  Um outro homem deve parar de concentrar-se excessivamente em seu hobby de costurar ou fazer arranjos com flores, quando percebe que gosta dessas atividades como uma criança o faria, como um menino delicado mergulhado em sua natureza meio-feminina” (p. 137).

Autodisciplina e força de vontade:
“Para a maioria das pessoas a autodisciplina diz respeito a coisa triviais como: acordar na hora certa, ter hábitos regulares de cuidados com o corpo, alimentação, vestuário, cabelos; ter ordem razoável nos pequenos assuntos da vida e do trabalho de cada dia, não adiar tarefas ou negócios que mereçam prioridade; planejar o dia (a grosso modo, não meticulosa ou obsessivamente), as diversas, a vida social.  Se existirem pontos de autodisciplina incertos ou ausentes, anote-os e comece trabalhando com eles.  Muitas pessoas inclinadas ao homossexualismo têm dificuldade com alguma forma de autodisciplina.  Não dar a devida importância a esses problemas, esperando uma cura emocional que resolva todo o resto, é loucura.  Nenhuma (auto) terapia pode ter algum êxito satisfatório, se for negligenciada essa dimensão terra-a-terra da autodisciplina, invente métodos simples para seus pontos fracos característicos.  Comece com uma ou duas áreas de autodisciplina deficiente, quando melhorarem, o resto seguirá mais facilmente”  (p. 112).

“O homossexual deve atingir uma plena decisão da vontade: não deve deixar nenhum espaço a nenhum desses impulsos homossexuais.  Ele deve crescer gradativamente nesta decisão…”

Na grande maioria dos casos em que um homossexual tem boa vontade; mas tem pouco sucesso, isso é devido a uma vontade que não está completamente decidida; por essa razão, é incapaz de combater vigorosamente e estará inclinada a criticar a força de sua orientação homossexual ou as circunstâncias desses magros resultados e não o caráter incompleto de sua decisão.  Depois de vários dias de relativo sucesso e recaídas periódicas em fantasia homossexual, um homossexual masculino descobriu que nunca desejara plena e realmente ficar livre de seu prazer.  “Agora é claro para mim por que tinha sido tão difícil.  Quisera a minha cura, certamente, mas não cem por cento”.  A primeira batalha por isso é esforçar-se por ter uma vontade purificada. Uma vez alcançado isso, deve-se renovar esta decisão de forma regular, de modo que se torne estável, um hábito.  Caso contrário, a decisão novamente se enfraquecerá” (p. 124).

 Oração
“O bom cristão também deve recorrer à oração.  A oração pode ser a coisa mais eficiente na superação das fantasias sexuais e dos impulsos de masturbação.  Isso, porém, não exclui a luta pela vontade de que falamos acima.  Em primeiro lugar, porque não deve ser oração em geral, mas oração nos momentos cruciais, quando os impulsos se apresentam. Uma observação interessante que pode ser feita aqui é que muitas pessoas religiosas com complexo homossexual, embora rezem em outras horas, recusam-se a orar justamente no momento da tentação. Ora nestas circunstâncias requer um esforço da vontade.  Se este for feito, e a pessoa procurar com sinceridade aplicar os métodos disponíveis, embora ainda se sinta incapaz de superar um forte ímpeto a estar com o companheiro, a masturbar-se, a tolerar sonhos acordados homoeróticos, perceberá que uma oração honesta com a estrutura mental de um filho que se dirige ao bom Pai não o deixará sucumbir.  Quem realmente procura fazer o que pode e então sinceramente pede ajuda, experimenta-a de modo sutil, mas sem falta.

Um bom católico também poderá recorrer à Santíssima Virgem, cuja intercessão junto de Deus é particularmente eficaz em matéria de castidade, aos santos e ao anjo da guarda.  Ele será internamente fortalecido pelos sacramentos da confissão e da Eucaristia”  (p. 129).

Conclusão:
A voz do Dr. Van den Aardweg é baseada em sérios estudos (que a ampla bibliografia indicada no livro parece comprovar) e em longa experiência.  Ela soa em tom diverso do de quantos pensam em reconhecer o homossexualismo como normal e legal.  Merece consideração.  O próprio Dr. Van den Aardweg escreve:

“Muitos dos que iniciam o tratamento de sua homossexualidade, bem como outras pessoas interessadas, estão ansiosos por saber a porcentagem de curas… De acordo com minha experiência, cerca de 10 a 15% de todos os que iniciam o tratamento (30% interrompem-no depois de alguns meses) recuperam-se radicalmente.  Isto é, após anos de tratamento, não têm mais sentimentos homossexuais e são normais em sua heterossexualidade; sua mudança aprofunda-se cada vez mais com o correr dos anos…

A maior parte dos que tentam praticar regularmente os métodos propostos, melhoram segundo avaliação feitas após vários anos de tratamento (uma média de três a cinco anos).  Seus desejos e fantasias homossexuais perdem força e desaparecem; a heterossexualidade surge ou é consideravelmente fortalecida e suas personalidades tornam-se menos neuróticas.  Alguns, não todos, sofrem recaídas ocasionais (sob stress, por exemplo) em suas antigas representações homossexuais, mas, se voltam à luta, a recaída não dura muito”  (p. 10).

por Gerard van den Aardweg

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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