A banalização do sexo feminino

A internet tem noticiado que uma jovem  virgem catarinense colocou sua virgindade à leilão realizado por um reality show australiano, e que os lances já chegam a R$ 500 mil. Segundo a notícia, a jovem Ingrid Migliorin, diz que usará dinheiro para construir casas populares e outras atividades, como se fosse lícito fazer caridade através do pecado, como se os fins justificassem os meios. Entre muitos lances, o indiano Rudra Chatterjee ofereceu US$ 250 mil. Lucas Zaiden, de nacionalidade desconhecida, ofereceu apenas US$ 1 (R$ 2). Caso os demais desistam, a jovem terá que aceitar a oferta mínima. Martin Robinson superou Miller pela primeira vez, oferecendo US$ 200 mil (R$ 400 mil). Rudra então aumentou o valor para US$ 250 mil (R$ 500 mil).

O que mais nos impressiona e entristece e ver a Imprensa dar ênfase a uma proposta tão destruidora, e tão deprimente da mulher; mas tudo se passa nas redes sociais como se a coisa fosse “bonita”, e se brinca com algo tão sério que é o sexo e a dignidade da mulher. De  uma lado a mídia quer valorizar a mulher, e esta exige seus “direitos”; mas, por outro lado, é ela mesma a propor a sua dignidade e sufocar a sua honra, oferecendo -se banalmente como um “pedaço de carne” a ser consumida.

Quanto mais os valores dos lances aumentam, mais atenção o leilão desperta na mídia internacional. Até hoje já são 13 os lances registrados. O primeiro registro foi de um brasileiro chamado Edson Raimundo, que ofereceu apenas US$ 72 dólares (R$ 144) em 18 de setembro.

O que pensar e dizer de tudo isso? Antes de tudo, uma triste banalização do sexo e da mulher, que se oferece como objeto de consumo e de prazer. É mais uma forma moderna de prostituição, onde o sexo é vivido sem amor, sem compromisso, sem filhos, sem família, sem responsabilidade.

O sexo é uma das mais belas realidades criadas por Deus para que o casal humano, homem e mulher, unidos pelo sacramento do matrimônio, vivam os aspectos unitivo e procriativo, que dão fundamento ao casamento e à família, projeto de Deus para a humanidade.

Cabe aqui recordar – ao menos aos cristãos – o que a Igreja ensina sobre a beleza da pureza. O Catecismo da Igreja ensina que a vida sexual é legítima e adequada “aos esposos”: “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (Cat. §2362; GS, 49).

São Paulo há dois mil anos já ensinava aos coríntios: “A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa”  (1 Cor 7,4). A união sexual só tem sentido no casamento de um homem e uma mulher, porque só ali existe um “comprometimento” de vida conjugal, vida a dois, onde cada um assumiu um compromisso de fidelidade com o outro, para sempre, gerando daí os filhos, que são, como diz o Catecismo da Igreja, “o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (§1652).

A Palavra de Deus nos alerta pesadamente para o perigo do pecado da carne. São Paulo escreveu muito sobre isso; vejamos:

“Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós” (1 Cor 3, 16-17).

 “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum! Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta se torna um só corpo com ela? Está escrito: Os dois serão uma só carne (Gn 2,24). Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?  Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”.(1Cor 6,15-20)

 “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos” (Ef 5,3).

Os cristãos não podem achar graça diante de tudo isso, da profanação do corpo humano belo de uma jovem mulher. Tudo isso precisa receber a nossa denúncia, em nome de Deus Criador. Se, omissa e covardemente nos calarmos, as pedras gritarão.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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