A astrologia considerada à luz da ciência

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb

Nº 374 – Ano 1993 – p. 290

A Astrologia está sempre em voga, apesar de já ter
sido desmentida freqüentemente pela experiência de seus próprios usuários. Isto
se explica porque no íntimo do homem moderno mesmo fica muitas vezes, de modo
inconsciente, um resquício de mentalidade mágica, animista, primitiva; esta se
reveste, através dos tempos, de roupagem aparentemente científica e séria, mas
não deixa de ser sempre uma herança do primitivismo de séculos muito recuados.
É o que demonstra, nas páginas subseqüentes, o Prof. Dr. Fernando de Mello
Gomide, até recente data docente do ITA de São José dos Campos (SP) e
atualmente pesquisador do Instituto de Ciências Exatas e Naturais da
Universidade Católica de Petrópolis (RJ).

O artigo traduz bem a índole científica e criteriosa do seu
autor, que usa de linguagem veemente na tentativa de evidenciar como é
paradoxal recorrer à Astrologia em nossa era de ciências e tecnologia avançadas.
O leitor saberá aproveitar o muito que de sábio e profundo é dito neste artigo,
sem se impressionar com certas expressões ditadas pelo calor da explanação.

 

Ao Prof. Dr. Fernando de Mello Gomide seja consignada a viva
gratidão da redação de PR por sua valiosa colaboração.

 

1. ASTROLOGIA: FUNDAMENTAÇÃO NO MUNDO ANTIGO

PRÉ-CIENTÍFICO

 

1.1.        Que é a
Astrologia?

 

Parece que a astrologia entra na história nos tempos das
dinastias acadianas da Suméria,¹ a civilização mesopotâmica que precedeu à assírio-babilônica.
Isso pode ser situado por volta do séc. XX ao XIX a.C. Mas é no declínio da
civilização babilônica, i. é, no séc. V a.C. que a astrologia adquire força e
entra na Grécia com o sacerdote de Bel, Berosso, no séc. III a.C. Os filósofos
gregos Platão e Aristóteles (séc. V-IV a.C.) teorizam sobre a influência dos
astros no mundo sublunar, e, com suas idéias exerceram uma poderosa pressão de
prestígio ao longo dos séculos, não é de admirar que filósofos do mais alto
gabarito, na civilização islâmica e na cristandade medieval, tenham aderido, em
grande parte, às elucubrações astrológicas.

 

Mas que é astrologia? É, como vemos, uma pseudo-ciência, ou,
para usar termo físico teórico americano John Archibald Wheeler, uma ciência
patológica. ² A dita pseudociência professa uma doutrina ambiciosa sobre uma
generalizada e totalitária influência do mundo planetário e estelar sobre nosso
planeta, de modo que todos os fenômenos físicos, biológicos, psicológicos e
sociais se encontram na dependência dos movimentos dos planetas, do Sol, da
Lua, da abóbora estelar, assim como da posição das constelações do zodíaco, dos
planetas e também de conjunções planetárias. Não só defendem os astrólogos essa
universal causalidade astronômica sobre a Terra, mas também pretendem possuir
uma chave para a previsão de acontecimentos futuros.

 

1.2.        Quatro
axiomas básicos

 

Analisando as especulações e as sistematizações filosóficas
da astrologia no pensamento platônico e aristotélico, podemos descobrir quatro
axiomas fundamentais dessa pseudociência:

 

1) A matéria celeste é incorruptível e imutável,
essencialmente diferente da matéria terrestre (sublunar), que é corruptível e
mutável.

 

2) Princípio de hierarquia: tudo no mundo sublunar depende
da matéria celeste. Todos os processos e movimentos na Terra são causados pelos
corpos celestes.

 

3) Princípio da causalidade motora de Aristóteles: todo
corpo só se move localmente se atuado por outro corpo (o motor) e o movimento
só existe enquanto dura a ação de motor. ³

 

4) Todo o universo astronômico obedece a uma rigorosa
periodicidade. Este é o axioma do tempo cíclico do paganismo, tão bem formulado
por Platão4.

 

A distinção entre as duas matérias (a celeste e a terrestre)
tem sua origem nas religiões pagãs, marcadas por um essencial imanentismo do
divino na ordem material. Pois, ou os corpos celestes eram encarados como
deuses, ou o mundo astronômico era considerado como habitáculo de deus e
semi-deuses. Conseqüentemente a matéria celeste deveria ter uma consistência
especial, i. é, não poderia ser mutável ou corruptível, à semelhança da matéria
sublunar. Aristóteles chega a dizer que a matéria celeste é divina e sua
substância consiste num quinto elemento, a quinta essência, o éter imutável.5 O
mundo terrestre é palco da corrupção e da morte, ao passo que o mundo dos
deuses é perene, incorruptível, sujeito a um tempo cíclico sem começo e sem fim6.
Vê-se muito bem estabelecida essa distinção no séc. VI a.C. na escola
pitagórica; sua justificação está em que o universo astronômico é considerado
como o Olimpo do Panteon grego. Em larga medida, podemos dizer que as religiões
pagãs são siderais. Dessa superioridade divina do mundo astronômico decorre a
inexorável dependência dos acontecimentos terrestres em relação  aos
acontecimentos astrais: o mundo dos deuses, mundo dos imortais, domina os
acontecimentos da humanidade mortal. Toda a astrologia depende do primeiro
axioma. Negar essa distinção é derrubar todo o edifício astrológico. No séc.
XVII, Sir Isaac Newton, com sua teoria da gravitação, fez implodir este secular
erro ontológico. A Física e a Astronomia newtonianas fizeram da matéria celeste
e da matéria terrestre uma coisa só. A pretensão, dos astrólogos, de que a
astrologia é uma ciência, foi derrubada de um só golpe com o nascimento da
Física e da Astronomia newtonianas no século XVII. A ciência moderna é
radicalmente infensa às especulações astrológicas. A incompatibilidade entre a
Astronomia e a Física, de um lado, e a astrologia, de outro, é simplesmente
total. Quem hoje acredita em horóscopos e elucubrações astrológicas, é um
ignorante vivendo antes do séc. XVII, ou um charlatão que vive às custas desse
tipo de indivíduo ignorante, crédulo e retrógrado.

 

1.3.        Uso da
Matemática?

 

Quais são as leis da astrologia? Os astrólogos reivindicam o
status de ciência para esse corpo de idéias. Mas que é ciência? Nós sabemos que
a ciência é um corpo de idéias dedutivo com base em princípios necessários; sua
estrutura dedutiva permite a inferência lógica de leis verificáveis
experimentalmente. Os princípios básicos de uma teoria científica, antes da
confirmação experimental, são as hipóteses criadas pela (por assim dizer),
adivinhação do pesquisador. É na adivinhação de hipóteses, a qual não obedece a
algum método pré-estabelecido, que reside a operação mais importante da
pesquisa científica. Nessa operação é que se revela a inteligência do
cientista. Uma disciplina científica deve ter axiomas ou princípios básicos e
leis experimentalmente verificáveis, deduzidas a partir daqueles princípios.
Isto acontece com a astrologia?

 

Vimos os quatro axiomas básicos da astrologia. Suponhamos
que sejam válidos e esqueçamos a ambição dos astrólogos, de poder prever
acontecimentos psicológicos e sociais. Como temos a ver com causalidade
de  realidades materiais, a matematização se faz necessária para haver
previsibilidade, via dedução causal, a partir dos axiomas. Como o nexo causal
entre astros e Terra tem um caráter totalitário, pois toda a Física e Química
da Terra estaria determinada pelo universo astronômico, a matematização teria
de ser muito mais vasta e complexa do que a de qualquer teoria
físico-matemática moderna.

 

Quais são as teorias físico-matemáticas da astrologia? Os
astrólogos nada nos ensinam sobre isso; dão sempre testemunho de nada saberem
de matemática e não pertencerem a algum Departamento de Matemática ou de Física
de Universidade. Eles constituem uma classe alheia à comunidade científica.
Portanto inexiste ciência astrológica.

 

2.          
SAGRADA ESCRITURA E TRADIÇÃO

 

2.1.        A Escritura
Sagrada

 

O primeiro axioma da astrologia, o da diferença essencial
entre a matéria celeste imutável e a matéria terrestre perecível, é ignorado na
Bíblia e negado num dos salmos. O salmo 101, vs. 26-28 diz:

 

“Outrora fundastes a Terra, e os céus são obra de
vossas mãos. Não obstante, vão deperecendo e vós permaneceis; desgastam-se
todos eles como uma veste, como roupa os mudais e mudados ficam; mas vós sois
sempre o mesmo e vossos anos não terão fim”.

 

Como vemos, a Sagrada Escritura encontra eco nas disciplinas
modernas da cosmologia, astrofísica e astronomia, que falam eloqüentemente da
mutabilidade no domínio das galáxias, das estrelas, dos planetas, das
nebulosas, enfim, de todo o universo. A astrologia, com seu postulado da
diferença entre matéria celeste imutável e matéria terrestre, está inteiramente
fora de contexto da Sagrada Escritura. Nesta, ambas as matérias são
corruptíveis.

 

Há uma passagem no Gênesis, que, não negando explicitamente
qualquer influência dos corpos celestes na vida humana, contudo relaciona o
Sol, a Lua, os corpos celestes com a ordem humana, apenas na linha de serem
sinais para a cronologia e para a iluminação:

 

“Haja luzeiros na abóbada do céu para distinguir o dia
da noite, e sirvam eles para sinais e marquem as estações, os dias e os anos; e
brilhem na abóbada do céu para projetar luz sobre a Terra”. 
“Portanto Deus fez os grandes luzeiros: o luzeiro maior para dominar o dia
e o luzeiro menor para a noite e as estrelas; e colocou-os na abóbada dos céus
para que luzissem sobre a Terra, e para que presidissem ao dia e à noite, e
separassem a luz das trevas” (Gn 1, 14-18).

 

Contra a pretensão dos astrólogos de conhecerem as
influências planetárias e estelares sobre a Terra, diz o livro de Jó:

 

“Conheces as leis dos céus e darás razão da sua
influência sobre a Terra?” (38, 33).

 

Com respeito a fenômenos como passagens de cometas,
conjunções planetárias, etc., diz o profeta Jeremias:

 

“Não imiteis o procedimento dos pagãos; nem receeis os
sinais celestes como os temem os pagãos. Pois as leis desses povos são apenas
coisas vãs” (10, 2).

 

Parece claro que presságios astrológicos são rejeitados pela
Bíblia, e as leis que envolvem tais sondagens, são obra da gentilidade, obra de
vacuidade. E que nos diz o profeta Isaías? Eis suas palavras irônicas para o
rei da Babilônia:

 

“Esbanjaste teus esforços entre tantos conselheiros.
Que eles então se levantem e te salvem, aqueles que preparam o mapa do céu e
observam os astros, que comunicam cada mês como irão as coisas” (47, 13).

 

2.2.        A Patrística*

 

Os Padres da Igreja, do séc.. II ao séc. VIII, na sua
confutação do pensamento gentílico, são unânimes em rejeitar a astrologia; esta
é visualizada segundo o espírito da Sagrada Escritura:

 

1) Taciano (séc. II) – Relaciona a astrologia com a religião
sideral. Considerando-se que os ídolos dos gentios, conforme a Sagrada
Escritura, são demônios, Taciano afirma que os demônios estão ligados aos
corpos celestes e que exercem uma conduta irracional sobre a Terra. Os
pecadores estão sujeitos à ação desses demônios; daí seus horóscopos7.

 

2) Tertuliano (+ após 220) – Diz que a astrologia tende à
idolatria, sendo invenção dos demônios8.

 

3) S. Gregório Nazianzeno (+ 390) – Diz que a astrologia é
perigosa para muitos e condena os horóscopos9.

 

4) S. Cirilo de Jerusalém (+ 386): “Nós não vivemos
segundo os horóscopos e a conjunção dos astros, como os astrólogos
delirantemente acreditam”. “Não devemos dar crédito aos astrólogos,
pois deles disse a Sagrada Escritura … Is 47, 1310.

 

5) S. Gregório de Nissa  (+ 394) – Defende o livre
arbítrio contra o fatalismo astrológico. Reduz ao absurdo a idéia de que a
posição das estrelas no nascimento determina o destino dos homens¹¹.

 

6) S. João Crisóstomo (+ 407) – As profecias dos astrólogos
são produto do demônio. Argumenta contra aqueles que acham as previsões
astrológicas bem sucedidas nos seguintes termos: quem abandona a fé e se
entrega aos astrólogos, leva os demônios a dispor dos fatos a fim de que
aconteçam para o agrado dessas pessoas. Diz ainda que a astrologia é uma
doutrina perversa¹².

 

7) Sto. Agostinho (+ 430) – Diz que se libertou dos grilhões
da astrologia após sua conversão. Propõe argumentos contra os horóscopos
tirados das experiências de amigos e cita o caso dos gêmeos Esaú e Jacó (Gn 25,
19-28), que nasceram sob mesmas condições planetárias e tiveram histórias
radicalmente diferentes¹³.

 

8) S. João Damasceno (+ 749) – Ao abordar a passagem do
Gênesis que trata dos astros como sinais, nega que esses sinais possam ser
considerados como causas dos acontecimentos sublunares. Nega, portanto, o
princípio de causalidade astrológico.

 

3.          
O FIM E A PARADOXAL PERSISTÊNCIA DA ASTROLOGIA

 

3.1.        O Fim da
Astrologia

 

No início deste trabalho, indaguei sobre as leis da
astrologia. Contestei a pretensão daqueles que querem ver na astrologia uma
ciência, porque lhe faltam as condições que determinam a especialidade de uma
ciência. Essas condições são sobretudo as leis deduzidas dos axiomas
fundamentais e que podem ser verificadas experimentalmente. Mas essas leis
devem abranger os nexos causais, e, como temos a ver com a ordem material,
esses nexos causais devem ser formalizados matematicamente. Ora isto os
astrólogos não o exibem. E por quê? Porque não o podem. E não o podem, pois não
sabem o porquê da natureza desses nexos causais imaginados entre os astros e os
acontecimentos sublunares, ignorando assim sua formalização matemática.
Vejamos.

 

Qual a relação matemática entre uma conjunção de planetas,
vg., Júpiter-Saturno e o nascimento de Joãozinho no dia 5 de outubro? Os
antigos pagãos pensavam que era no nascimento que começava a evolução de um
ente humano. Mas hoje sabemos que a morfogênese do indivíduo é determinada no
momento da concepção, quando se constitui seu código genético inserido em
cadeias moleculares, o célebre DNA. Nessas cadeias moleculares estão contidas
todas as informações biológicas que levarão o indivíduo a ser, digamos, louro
com tendências a introspectivo ou não, etc. No momento da sua concepção, Johan
Christian Bach recebeu os fatores hereditários de seu pai Johan Sebastian, que
o levariam a ser um grande compositor. Foi na concepção que Johan Christian
recebeu o poder para ser músico e não no nascimento. Por conseguinte, se existe
ação astral, ela deve ser efetiva no instante da concepção, e não no do
nascimento. Os astrólogos continuam a operar como se estivessem na Babilônia.
Todavia, para se atualizarem, consideram a ação dos astros como sendo do tipo
gravitacional ou magnético. Bem; como disse antes, se existe ação astral, ela
deve-se verificar no instante da concepção. Ora, os processos moleculares que
constituem o código genético, obedecem aos princípios da teoria quântica. Se a
ação astral é do tipo gravitacional, devemos dizer que os astrólogos são
totalmente ineptos para tirar conclusões aí. Pois se sabe na comunidade
científica que ainda não existe uma teoria física que associe a teoria quântica
com a teoria da gravitação. Suponhamos agora que a ação seja magnética. O fator
“distância” deve ser considerado, pois o campo magnético produzido,
digamos por Júpiter, devido à distância, é muito inferior ao campo magnético da
Terra. Isto quer dizer: se é o campo magnético que influencia a concepção de
Joãozinho, então esse campo tem de ser o do nosso planeta e não o de Júpiter,
que aqui tem um valor muito inferior ao do campo magnético terrestre.

 

Falei no fator “distância”. Isto se aplica também
ao campo gravitacional. A influência das estrelas que estão a anos-luz
distantes do sistema solar, é insignificante, se comparada à influência do
campo gravitacional produzida pela massa do pai de Joãozinho, próxima do óvulo
fecundado, mesmo alguns metros distante. Com respeito aos planetas com
distância de minutos-luz ou horas-luz da Terra, os cálculos mostram que os
campos gravitacionais planetários mais significantes são os de Júpiter (por
causa da sua massa 320 vezes a massa da Terra) e Vênus (por ser o planeta mais
próximo). Fazendo-se os cálculos numéricos para a maior aproximação desses
planetas em relação ao nosso, se chega à conclusão de que seus campos
gravitacionais aqui na Terra seriam da ordem de grandeza do campo gravitacional
produzido pelo pai de Joãozinho a centímetros do zigoto do futuro herdeiro. Os
campos gravitacionais dos outros planetas seriam bem mais fracos que o do pai
de Joãozinho. E o das estrelas a anos-luz distantes seria totalmente
insignificante. Conseqüentemente os astrólogos deveriam fazer horóscopos
substituindo os planetas e estrelas pelos corpos do pai, da cama, da mesinha de
cabeceira, da massa de concreto da laje do quarto, etc. Os campos
gravitacionais desses objetos, de si com valor numérico muito baixos, são
muitíssimo superiores aos campos gravitacionais locais produzidos pelos muito
distantes planetas e incrivelmente distantes estrelas. Como vemos, os
astrólogos, ao insistirem na influência dos astros, estão vivendo antes do
século XVII, quando não havia o mínimo conhecimento das distâncias planetárias
estelares. Os astrólogos, se quisessem ser um pouco mais científicos, teriam de
conhecer o instante da concepção de Beldroegas, o quarto em que seu óvulo foi
fecundado, a distribuição de massas perto do óvulo, tais como a massa das
pessoas, dos objetos caseiros, das paredes, da laje, das vigas, etc. Os
horóscopos deixariam de ser celestes para ser terrestres. Como terrestres, e
muito terrestres, seriam as explicações para o futuro enriquecimento do Dr.
Beldroegas em sua “carreira” política. Assim, pois, não pode haver
leis da astrologia, ou seja: não existe ciência astrológica. Esta não passa de
fabulosa impostura de homens alheios à comunidade científica, obra de mestres
em fraude e mistificação.

 

3.2.        Paradoxal
Persistência

 

Apesar de todas as demonstrações científicas em contrário,
verifica-se que a sociedade contemporânea continua a procurar assiduamente os
arautos da astrologia. Por quê? Quero aqui emitir uma reflexão:

 

“O número de néscios é infinito”, diz o
Eclesiastes (1, 15 – Vg). Isto significa que as pessoas de bom senso serão
sempre minoritárias. Portanto, não nos surpreendemos se em nossos dias, apesar
dos progressos da ciência e da tecnologia, o povo em sua maioria é propenso a
acreditar em charlatães.
O físico americano Wheeler se lamentava de existir nos
Estados Unidos apenas dois mil astrônomos contra vinte mil astrólogos.

 

Na última e deprimente campanha eleitoral para a presidência
desta República, vimos como vários dos muitos candidatos andaram consultando gurus
e videntes. Há pouco tempo, a imprensa noticiou declarações de pessoa da área
governamental, no sentido de ter feito oferendas a ídolo de seita africana. Não
só em “república de opereta” a crendice entre políticos aparece. Há
alguns anos, a imprensa noticiou que na Casa Branca serviços de astrólogos eram
solicitados. Na “Nomenklatura” soviética os poderosos do Kremlin
também apelavam para gurus e sensitivos da adivinhação.*

 

4.          
CONCLUSÃO

 

Nesta análise histórico-crítica procurei evidenciar a origem
dos postulados fundamentais da astrologia situados nas religiões gentílicas e
no pensamento filosófico de homens como Platão e Aristóteles. O imanentismo do
divino no mundo astronômico e as falsas Física e Astronomia de Platão, máxime
de Aristóteles, infestaram o pensamento das ciências naturais ao longo dos
séculos. Mostrei que, com base nesses postulados, não pode existir uma ciência
da astrologia, o que significa a impossibilidade de verdadeiras previsões
astrológicas. O fato histórico da contestação da Física aristotélica e as
críticas lúcidas de Nicolau de Oresme, no século XIV, enfraqueceram no meio
universitário o prestígio dos astrólogos, sendo que a Revolução Científica do
séc. XVII desferiu um golpe mortal na astrologia: deu-se a queda definitiva do
primeiro postulado, o da distinção entre matéria terrestre e matéria celeste,
graças à teoria da gravitação e à Física de Newton. Mostrei como a Astronomia,
a Física e a Biologia tornam impossíveis e absurdos os horóscopos.

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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