31/08 – São Raimundo Nonato

resized_s__o_raimundo_1_2_3Quando São Pedro Nolasco, a 10 de agosto de 1218, dava início à Ordem das Mercês para a redenção dos escravos, com um rito solene na catedral de Barcelona, da qual era cônego o amigo e conselheiro Raimundo de Peñafort, entre os fiéis estava também o moço dezoito anos, Raimundo, chamado de Nonato porque foi extraído do corpo da mãe morta no parto. Quatro anos depois ele passaria a fazer parte da Ordem. Raimundo Nonato veio à luz em 1200 em Portell nas proximidades de Barcelona, de família nobre. Vestindo o hábito dos mercedários aos vinte e quatro anos, seguindo o exemplo do fundador, se dedicou à libertação dos escravos da Espanha ocupada pelos mouros e à pregação no meio deles. Um dia, após a volta de uma viagem a Roma, ultrapassou o estreito e foi à Argélia, tornando-se escravo entre os escravos para manter acesa entre eles a chama da fé com a palavra e com o exemplo da caridade ativa. O gesto de Raimundo Nonato de oferecer-se como escravo em troca da libertação de um infeliz pode parecer o ponto natural a que chega a heróica caridade de um santo, que vive o Evangelho integralmente. Raimundo, tido vários meses como refém e submetido a reiteradas e cruéis malvadezas, cumpriu aquele gesto não só pela libertação de um cristão, cuja fé estava perigosamente vacilante, mas sobretudo para curar pela raiz o mal da escravidão, pregando o Evangelho entre os próprios muçulmanos. Repetiu assim a comovente e não inútil tentativa feita poucos anos antes por São Francisco de Assis. Mas Raimundo encontrou ouvintes menos condescendentes: para lhe impedirem de pregar o Evangelho, os seus perseguidores chegaram a ponto de perfurar-lhe os lábios com um ferro quente, fechando-os com um cadeado. Isso não impediu que Raimundo deixasse de exortar os cristãos, caídos na escravidão, à perseverança na fé. O Papa Gregório IX quis render-lhe uma homenagem pública por tão grandes virtudes conferindo-lhe em 1239, apenas libertado, a dignidade cardinalícia, convocando-o como conselheiro. Pôs-se em viagem para atender ao convite do Papa, mas pouco depois uma febre violentíssima o atingiu e morreu a 31 de agosto de 1240 em Cardona, perto de Barcelona. Foi sepultado na Igreja de são Nicolau, que a popular devoção do santo, inserido no Martirológio Romano em 1657 pelo papa Alexandre VII, transformou em meta de peregrinações. Pela sua difícil vinda à luz do mundo, ele é invocado como o patrono e protetor das parturientes e das parteiras.

Outros Santos do mesmo dia: Santo Paulino de Tréveris, São Aldano de Lindsfarne, Santo Aristides, Santo Dominguinhos del Val, Santo Nicodemos, Beato Lourenço Nerucci e companheiros, Beatos Patrício O’Haealy e Conn O’Rourke, Beato Pedro Tarres i Claret.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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