2012: 50 anos atrás

O ano de 2012 nos apresenta, de saída, um claro compromisso com o passado. Ele leva a marca do ano 1962. Cinquenta anos atrás, a Igreja realizava um evento que a levaria a profundas transformações, e seria símbolo de mudanças radicais, pelas quais iriam passar as grandes instituições mundiais.

Tratava-se do Concílio Ecumênico Vaticano II.  Ele foi aberto oficialmente no dia 11 de outubro de 1962, e iria se prolongar por quatro anos. Tempo amplo, e até arriscado, durante o qual a própria Igreja tomou a iniciativa de se submeter a uma rigorosa análise de sua caminhada histórica, com a intenção de se atualizar, para assim corresponder melhor à sua missão, e se habilitar ao diálogo com o mundo de hoje.

Esta, em poucas palavras, a ingente tarefa que o Papa João XXIII colocou como motivação para convocar esta assembleia eclesial extraordinária, que leva o nome histórico de “Concílio Ecumênico”.

Pois bem, depois de 50 anos, quando o calendário nos instiga a celebrar este evento de maneira “jubilar”, somos instados a recordar os fatos, medir seu alcance, e nos interrogar a respeito dos seus desdobramentos atuais.

Já são diversas as iniciativas em curso, a se concretizarem neste ano, motivadas pelo Jubileu do Concílio. A data de referência é o dia 11 de outubro, que lembra a solene abertura do Concílio, na Basílica São Pedro, presidida pelo Papa João XXIII.

Mais do que um evento, o Concílio se constituiu num amplo processo, que envolveu profundamente toda a Igreja. Sua lembrança nos permite situá-lo num contexto mais amplo, e colocá-lo em confronto não só com a situação atual da Igreja, mas com a realidade globalizada que vivemos hoje.

O próprio Concílio, 50 anos atrás, foi devedor da realidade mundial, sem a qual ele provavelmente nem teria acontecido. As décadas mais otimistas dos últimos séculos, dá para afirmar com boa razão histórica, foram as décadas de 50 e de 60, sobretudo na Europa, envolvida intensamente na reconstrução, após a segunda guerra mundial.

O Concílio foi lançado no final da década de 50, pelo anúncio feito por João XXIII no dia 25 de janeiro de 1959. Eram os tempos dos primeiros passos na aventura espacial, que foi pensada para chegar à lua e a outros astros, mas que acabou trazendo tantas inovações em nosso planeta, sobretudo nas possibilidades de comunicação, que agora estão sendo integradas no cotidiano de nossas vidas.

Quando se consegue trazer de volta à memória um vasto processo, como foi o Concílio Vaticano II, podemos dispor de referências que apontam para várias direções.

É o que promete esta celebração do Jubileu do Concílio. Servirá não só para discernir o que se passa hoje na Igreja, mas também ajudará a entender o que se passa hoje no mundo.

Afinal, o Concílio teve o mérito de tomar a iniciativa de renovação eclesial, antes que ela fosse imposta de fora pela dinâmica da história.  Assim agora o seu jubileu nos oferece referências muito úteis para entender o rumo que a realidade vai tomando.

De vez em quando uma olhada providencial no retrovisor ajuda a perceber as curvas da estrada.  Assim a recordação do Concílio.   Ajuda a entender o caminho andado, e perceber as advertências do trânsito. Pois a história continua dinâmica, e não é o caso de pedir que pare para reencontrar o seu rumo. Precisamos intervir, enquanto o carro vai andando. Ou na comparação preferida por Jesus, enquanto o barco vai sendo sacudido pelas ondas!

****
Dom Demétrio Valentini

Bispo de Jales (SP)

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.